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terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Melhorando nossas defesas....



O sistema imunológico é o responsável pelo combate a microorganismos invasores. Ele também é responsável pela “limpeza” do organismo, retirando as células mortas, renovando determinados tecidos, rejeitando enxertos, etc. Também é ativo contra células alteradas, que diariamente surgem em nosso corpo. Essas células, se não forem removidas, podem dar origem aos tumores.
Nosso organismo também possui barreiras naturais, como a da pele, a saliva, o ácido clorídrico do estômago, o pH da vagina, a cera do ouvido externo, muco presente em todas as mucosas e no trato respiratório, peristaltismo, flora intestinal etc. Todas estas barreiras ajudam a impedir a entrada de microorganismos invasores.
 
Existem hábitos que certamente fortalecem o nosso sistema imunológico, como: faça exercícios físicos, que estimulam a liberação de determinados hormônios capazes de otimizar a função imune; controle seu estresse, faça coisas que você goste, aprenda a aliviar as tensões. O estresse crônico, já abordado por esta coluna, libera hormônios como o cortisol, que provocam um enfraquecimento brutal em nossa imunidade; coma alimentos que vão ajudar a fortalecer seu corpo contra microorganismos causadores de doenças.
 
A alimentação é imprescindível para uma ótima saude, e isto inclui também para as nossas defesas naturais. Podemos destacar alguns alimentos: iogurtes e leite fermentados, que contém os lactobacilos produtores de gamainterferon e imuniglobulinas (primeira linha de defesa em nível intestinal); alho, contém alicina, substância de grande auxílio para uma resposta imunológica adequada; shitake, cogumelo comestível que também ajuda na prevenção de tumores; cenoura, contém betacaroteno pigmento antioxidante potente; gengibre, antiinflamatório natural (reduz os processos inflamatórios e a dor); mel, tem ação bactericida e antissépticos (atua como um antibiótico natural em infecções leves).
 
Um estudo publicado pela Universidade de Harvard sobre alimentos que ajudam a saúde e o funcionamento do sistema imunológico estimulou a equipe de um jornal italiano a questionar especialistas sobre quais são, verdadeiramente, os fatores que melhoram as defesas do nosso organismo.
 
A resposta obtida foi uma fórmula numérica: 0-5-30. Zero cigarro, cinco porções de frutas e verduras ao dia e trinta minutos de exercícios físicos diários são a receita do imunologista Alberto Mantovani, da Universidade de Milão.
 
Pessoas que têm infecções de repetição, como infecções urinárias, candidíases, alergias diversas etc, podem se beneficiar desses conselhos acima. Uma maneira saudável de repor nutrientes que melhoram nossas defesas é usar um suco verde, que particularmente saboreio diariamente pela manhã. É composto de suco de laranja, couve, hortelã, cenoura, gengibre, maçã e castanha do Pará. Este suco é rico em substancias antioxidantes, ferro, zinco, selênio e diversas vitaminas. Confere boa disposição logo pela manhã e prepara o corpo para o inicio de um dia de trabalho. 
 
Receita:
 
Propriedades deste suco verde: 
-Desintoxica o organismo
-Otimiza o sistema imunológico 
-Reduz a Pressão arterial
-Auxilia no controle de peso
-Melhora a circulação sanguínea
-Evita osteoporose
-Auxilia no controle de doenças cardiovasculares
-Melhora o funcionamento intestinal
-Melhora a contração muscular
-Evita a fadiga muscular
-Evita dores de cabeça
-Diminui a TPM
 
Receita
  • 2 a 3 cubos de couve com hortelã *
  • 1 maçã vermelha 
  • 1 pedaço de aproximadamente 2 cm de gengibre
  • ¼ de cenoura
  • Suco de laranja( +/_ 150ml)
  • 1 castanha do Pará 
       Bata tudo no liquidificador.
 
*DICA: Bata no liquidificador o proporcional  de couve com hortelã, ou seja dois molhos de couve(não jogue os talos fora) com dois molhos de hortelã. Acrescente o mínimo de água possível, somente para formar uma papa grossa. Coloque em formas de gelo e congele. Ao preparar o suco, inclua os cubos verdes congelados.É mais prático e não perde os nutrientes!









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sábado, 5 de janeiro de 2013

Não à automedicação.....



A automedicação é a prática de ingerir medicamentos sem o aconselhamento e/ou acompanhamento de um médico ou outro profissional habilitado. Em outras palavras, é a ingestão de medicamentos por conta e risco do indivíduo. É uma prática bastante difundida não apenas no Brasil, mas também em outros países. Medicamentos de uso mais “simples” e comuns estão disponíveis em farmácias ou supermercados e podem ser obtidos sem necessidade de receita médica, como analgésicos, antitérmicos, antiinflamatórios, entre outros.
Os medicamentos são comprados por indicações de amigos, estimulados pela mídia, internet ou indicação do balconista, não farmacêutico. A onda das depressões, na busca por “um mundo mais feliz”, fez a classe média abusar dos psicotrópicos, sem a recomendação dos médicos. Antitérmicos, antiinflamatórios e analgésicos são os medicamentos mais utilizados, sem qualquer tipo de orientação especializada. Segundo dados do Conselho Federal de Farmácia, a automedicação é responsável por 25% dos casos de intoxicação no Brasil.
 
Tendo em vista os problemas decorrentes da automedicação e, principalmente, quando esta é feita com uso de antibióticos, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), em outubro de 2010, modificou algumas regras para a venda destes medicamentos, que a partir de então passaram a ser vendidos em farmácias e drogarias apenas com retenção de receita. Uma resolução bem tomada, mas que deveria ser estendida a outras classes de medicamentos que são responsáveis pela maior parte das intoxicações detectadas nos pronto atendimentos de todo o pais.
 
Para que o leitores tenham uma ideia do perigo da automedicação, cito alguns casos bastante comuns no dia-a-dia. Por exemplo, uma pessoa que tem “incômodos” no estômago e passa a usar, por conta própria, medicamentos a base de anti-ácidos ou da família do omeprazol, podem estar mascarando ou escondendo doenças mais sérias como úlceras ou mesmo tumores. Outro exemplo bastante corriqueiro é o uso indiscriminado de medicações à base de paracetamol, que podem causar sérios prejuízos ao fígado, tipo hepatite ou cirrose. Aquela pessoa que após o consumo de etílicos faz uso deste medicamento pode sobrecarregar ainda mais a função hepática. O uso de fitoterápicos também deve ter orientação adequada. Só para citar dois exemplos: o uso concomitante do ginkgo biloba com o AAS (aspirina) aumenta o tempo de sangramento nas pessoas, podendo ocorrer hemorragias e, algumas delas, podem ser fatais como nos derrames cerebrais. Já o ginseng usando como estimulante natural pode aumentar a pressão e piorar os sintomas dos hipertensos.
 
O próprio modelo regulador (Anvisa) continua estimulando, indiretamente, a automedicação, com frases do tipo “a persistirem os sintomas o médico deverá ser consultado”. No meu entendimento, esta frase só vem a reforçar o consumo de medicamentos, ou seja, use primeiro o medicamento. Caso os sintomas persistam, procure o médico. Em vez de ser uma frase de alerta, na prática é uma frase de estímulo à automedicação. Melhor seria usar a frase de Paracelso, médico do século XVI: “A diferença entre um remédio e um veneno está na dose”, converse antes com seu medico. 
Boa semana a todos.









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sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

O check-up do médico...



Final de ano chegando e temos que repensar o ano que passou e projetar o ano que se inicia. O check-up médico deveria estar neste contexto. Porém sempre temos uma desculpa: falta de tempo, excesso de trabalho, férias por vir e aquela bateria de exames, que normalmente é adiada. Fato é, que pessoas cada vez mais jovens estão indo parar na emergências de todo o pais. São casos graves, muitas das vezes fatais, que poderiam ser evitados.
Os check-ups devem ser realizados já a partir dos 30 anos de idade, através de exames de sangue rotineiros, com periodicidade anual. Nesta faixa etária, exames como colesterol, triglicerídios, glicose e de ácido único podem direcionar o médico para uma orientação terapêutica adequada. O mesmo serve para uma correta avaliação dos exames de urina e fezes. Outro ponto simples de ser acompanhado é a pressão arterial, pois varias pessoas são hipertensas mas assintomáticas, ou seja, não tem nenhum sintoma aparente. O eletrocardiograma, ecocardiograma e a prova de esforço serão inclusos no devido tempo e conforme a solicitação medica. Para os homens após os 40 anos, a avaliação da próstata já pode ser indicada. Já as mulheres na faixa dos 40 anos, inclui-se os exames ginecológicos preventivos. E após os 50 anos, a mamografia e a densitometria óssea. Esta ultima para avaliar a densidade dos ossos e prevenir a ocorrência da osteoporose e sua consequência mais nefasta, as fraturas.
 
É importante que o leitor entenda que um check-up só terá sentido se o seu principal componente for uma investigação cuidadosa de hábitos, estilo de vida e fatores de risco e se essa avaliação resultar na discussão cuidadosa com cada paciente das alternativas existentes para uma vida mais saudável. O rastreamento deve ser considerado em uma perspectiva mais ampla, que não se reduz aos exames complementares. Existem doenças e problemas que devem ser investigados principalmente durante a anamnese (por exemplo hábitos alimentares, tabagismo, abuso de álcool, prática de sexo seguro, depressão etc), durante o exame clínico (por exemplo hipertensão arterial e arritmias no coração). Quero dizer que os exames complementares, como o próprio nome diz, vem a complementar uma suspeita diagnostica. A história clínica e o exame físico detalhados são soberanos.
 
Os estudos demonstram que é muito melhor que o médico passe mais tempo com o paciente, descobrindo seu estilo de vida, histórico familiar, condições de saúde, para daí solicitar exames que realmente vão ser decisivos para um diagnostico adequado. Chegar ao medico pedindo que se faça um check up laboratorial não tem sentido. Especialistas no assunto sugerem que os profissionais de saúde devem se concentrar em ver o paciente mais vezes e pedir testes direcionados para fatores de risco específicos de acordo com sua idade, sexo, histórico clínico etc.
Resumindo, o check-up medico tem enorme importância quando realizado de forma global, desde o histórico do paciente, passando pelo exame físico e finalmente solicitando os exames pertinentes. Desta forma, a prevenção estará sendo feita de forma adequada. Boa semana a todos.









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terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Transtorno afetivo bipolar...



O transtorno afetivo bipolar era denominado até bem pouco tempo de psicose maníaco-depressiva. Esse nome foi abandonado principalmente porque esse transtorno não apresenta necessariamente sintomas psicóticos. Na verdade, na maioria das vezes, esses sintomas não aparecem. Com a mudança de nome, esse transtorno deixou de ser considerado uma perturbação psicótica para ser considerado uma perturbação afetiva.
O início desse transtorno geralmente se dá em torno dos 20 a 30 anos de idade, sendo mais raro em idades avançadas. O início pode ser tanto pela fase depressiva como pela fase maníaca, começando gradualmente ao longo de semanas, meses ou abruptamente em poucos dias. Além dos quadros depressivos e maníacos, há também os quadros mistos (sintomas depressivos simultâneos aos maníacos). Aceita-se a divisão do transtorno afetivo bipolar em dois tipos: o tipo I e o tipo II. O primeiro é a forma clássica em que o paciente apresenta os episódios de mania alternados com os de depressão. Já o segundo tipo caracteriza-se por não apresentar episódios de mania, mas de hipomania (leve exaltação do humor) com depressão. A causa, propriamente dita, é desconhecida. Porém, a genética tem grande influência, pois, em média, 85% dos casos tem algum parente na família com mesmo transtorno.
 
No presente texto não cabe falarmos sobre tratamento, pois o tema é extenso. O principal motivo da coluna desta semana é abordar como a própria pessoa, portadora do transtorno, pode fazer por ela mesma. O paciente com transtorno bipolar do humor tem uma doença que costuma durar a vida toda, que se mantém sob controle com tratamento adequado. Cabe a ele o esforço de manter o tratamento: é ele quem toma os medicamentos. Ninguém pode forçá-lo, a não ser em situações que ponham em risco a sua segurança ou a de outros. Portanto, se você é portador do transtorno bipolar, comprometa-se com o tratamento, discuta dúvidas com seu médico, a eficácia e efeitos colaterais dos medicamentos. Mantenha uma rotina de sono adequada, pois a redução do tempo total de sono pode desestabilizar a doença. Evite álcool, já além de interagirem com as medicações, também agem no cérebro aumentando o risco de novas crises. Se tiver insônia ou inquietação, não se auto-medique converse com seu médico. Evite outras substâncias que possam causar oscilações no seu humor, como café em excesso, antigripais e antialérgicos, pois podem ser o estopim de novo episódio da doença. Enfrente os sintomas sem preconceito, discuta-os com seu médico ou terapeuta. Lembre-se, você está bem por estar tomando a medicação, pois se parar de tomá-la, os sintomas podem voltar sem prévio aviso. É preciso manter-se alerta para o aparecimento dos primeiros sintomas, como insônia, irritabilidade e inquietação. Por isso, a participação pró-ativa é de suma importância. Fique atento aos sintomas de uma nova crise depressiva ou maníaca e tome nota de tudo que ocorrer. Aproveite os períodos de “calmaria” para se redescobrir. A aceitação e o entendimento do transtorno é o melhor remédio. É isso que confere qualidade de vida aos portadores desta patologia: conhecimento.

Boa semana a todos.









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terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Bactérias intestinais...



Recente matéria publicada em revista de circulação nacional dando conta de pesquisa sobre a influência da flora bacteriana intestinal e o ganho de peso lança mão a um importante tema que já é debatido há quase uma década. A obesidade é causada por diversos fatores, como por problemas genéticos, hormonais, ambientais e comportamentais. A referida pesquisa identificou mais uma outra causa: as bactérias encontradas nos intestinos. Um artigo publicado na revista científica americana “Nature”, esmiuçou essa relação. Um desequilíbrio nas bactérias intestinais está atrelado a um processo inflamatório, atalho para a obesidade e diabetes. O desarranjo permite que fragmentos dessas bactérias saiam de seu habitat (os intestinos), caiam na corrente sanguínea e atinjam as células de gordura, alterando seu metabolismo, consequentemente provocando acúmulo de adipocitos, em outras palavras: obesidade.
A flora intestinal comensal é responsável por várias funções, desde de processos metabólicos (fermentação, síntese de vitaminas, produção energética), estimulação do crescimento celular, melhora do sistema imunológico, e proteção contra patógenos. Portanto, sua alteração está interligada a várias patologias, como síndrome do intestino irritável, fibromialgia, doenças autoimunes, alergias, e, agora, obesidade.
 
Nossos intestinos, se forem dissecados e abertos, têm uma área de absorção do tamanhão de uma quadra de tênis, e os “moradores” de todo esse terreno são as bactérias. Vários fatores contribuem para o controle da microbiota normal, entre eles, a acidez gástrica e a idade. As bactérias do cólon sintetizam vitaminas como biotina, ácido fólico, tiamina, B12 e vitamina K e fermentam carboidratos indigeríveis como as fibras, para produzir sua energia própria. Vários estudos mostram diferenças da microflora intestinal de pessoas magras e obesas. 
 
A grande diferença está na desproporção entre as bactérias patogênicas e as chamadas “bactérias do bem”, mais conhecidas por lactobacilos. Essas últimas em maior concentração em pessoas magras em comparação aos obesos. As recentes descobertas abrem caminho para o desenvolvimento de várias frentes de tratamento contra a obesidade. Como, por exemplo, os probióticos, bactérias vivas consumidas na forma de iogurte, leite fermentado, em cápsulas ou sachês, que podem ser adicionados a sucos e vitaminas. Atualmente, a ingestão de lactobacilos são indicados com o objetivo de regular o trânsito intestinal e reforçar o sistema imunológico de uma forma geral, ou seja, são indicados em quadros de diarreias e/ou constipação e para modular diversas patologias, nas quais há envolvimento do sistema imune, como as alergias em geral e doenças auto-imunes. 
 
A indicação de lactobacilos para o emagrecimento não está clara ainda, porém, o uso de substâncias pré-bióticas e pró-bióticas na forma de alimentos ou suplementos pode vir a ajudar diversos pacientes com sobre preso e obesidade, pois são bem tolerados, com baixo índice de efeitos colaterais e outros ganhos associados para a saúde da pessoa.
Boa semana a todos.









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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Mentiras no consultório


O ato de mentir durante consulta médica é mais comum e perigoso do que se imagina. Uma pesquisa realizada nos EUA demonstrou que 45% dos entrevistados admitiram que mentem ou não falam toda a verdade na consulta e 30% mentem sobre a adesão a dietas e exercícios. A conclusão é de que as pessoas podem ter sérios problemas de saúde com esta atitude. Sem uma história clínica completa, o médico pode não receitar corretamente a medicação ou sua dosagem, ter interferência com outra medicação não citada na consulta. O médico precisa saber sobre doenças preexistentes na família do paciente, que podem alterar o tratamento. As informações detalhadas também são fundamentais na solicitação dos exames complementares e, até mesmo, para encaminhar o paciente a procurar um especialista.

Uma mentira muito comum nos consultórios é relativa à adesão de dietas e exercícios. Quando o paciente está com obesidade ou sobre-peso, na qual é necessário ter uma dieta especial é comum o paciente retornar ao consultório com as mesmas queixas, pesos e medidas da primeira consulta. Em boa parte dos casos o paciente não segue as orientações e têm vergonha de admitir.

Em casos cirúrgicos a mentira pode ser ainda mais arriscada. Fumantes têm um risco maior durante intervenções cirúrgicas devido ao comprometimento da circulação e cicatrização causadas pelo tabaco. Para obter do médico a concessão para uma cirurgia estética, por exemplo, o paciente omite ou nega a informação de ser tabagista. Isto pode acarretar problemas durante a cirurgia e no pós-operatório.
           
É muito comum o paciente chegar ao consultório informando ao médico o seu diagnóstico e até mesmo tratamento. A cultura da auto medicação e de procurar informações na internet antes de consultar os médicos são os principais indicativos para esses casos. Recebem o exame do laboratório e logo vão no “Dr. Google”. Quando vê uma alteração surge o estresse. É um erro fazer isto, pois o exame complementar não pode ser visto de forma isolada. Tem de ser correlacionada com o histórico clínico. E só o médico pode fazer este julgamento.

Diante de um cenário de consultas cada vez mais rápidas, pré-estipuladas por determinações de empresas de saúde, o médico conhece cada vez menos os seus pacientes. Não se consegue estabelecer uma boa relação médico-paciente no atual modelo. É preciso resgatar a história do médico da família, que atuava no interior dos estados e atendia vários membros de uma mesma família. Não estou aqui reforçando que as pessoas devem consultar com apenas um profissional, mas sim, que precisam tem uma relação mais sólida com seus médicos. A era dos médicos clínicos gerais, que só de olhar para um paciente já sabia o diagnóstico e fazia exames apenas para comprovar as suas suspeitas não pode acabar. O que a sociedade precisa é de médicos experientes, que sejam especialistas e ao mesmo tempo generalistas. Que entendam que o paciente faz parte de um organismo complexo e que não é apenas uma perna, um coração doente ou um rim inflamado. Finalizando: aos pacientes que confiem mais nos médicos e aos médicos, que ouçam mais atentamente seus pacientes. Boa semana a todos.  


 










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quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Emagrecer a qualquer custo?


Quase que a totalidade das pessoas que adentram o consultório, além da sua queixa habitual, reclama do peso. “Doutor eu preciso perder peso”, não raro de forma “urgente”. Àquela pessoa que deseja o imediatismo das pílulas para emagrecer, certamente vai entrar para a turma do efeito sanfona.

Atualmente se discute a permanência de várias drogas antiobesidade no mercado e, ao mesmo tempo, aparece uma nova medicação dita “milagrosa” para perder peso. Não cabe, no presente texto, discutir a entrada ou a saída de medicações para ajudar no emagrecimento. Podemos discutir isso em outra oportunidade.

Então, aonde devo focar meu objetivo para perda e para a manutenção do peso? Em hábitos de vida saudáveis em especial na alimentação e na atividade física. É alimentando-se de forma correta que se perde peso. Àquela antiga ideia de “fechar a boca” para reduzir uns kilinhos já se provou que não dá resultado. Desde a remota era do homem das cavernas, que passava por períodos de necessidades alimentares, que nossos genes “aprenderam” a guardar  energia extra em forma de gordura corporal. Isto nos mostra que o jejum não vai nos ajudar a emagrecer e sim estocar energia. Nosso organismo é guardador de energia e não queimador. Simplesmente uma forma de sobrevivência.
           
Em relação à alimentação, esqueça de vez as dietas da moda, tipo: da lua; da sopa, do Dr. “Fulano”, do Dr. “Ciclano”, etc. Toda dieta é restritiva, ou seja, suprimem nutrientes importantes à manutenção de uma boa saúde, bem como a pessoa “chuta o balde” por não conseguir dar sequência, por muito tempo, em dietas com 800 a 1000 calorias ao dia. Acredito em uma alimentação que contenha de tudo um pouco, com redução moderada dos carboidratos e incremento de proteínas na alimentação; isto sem falar no consumo de frutas e vegetais, em associação a atividade física, que é a grande “queimadora” de energia do tecido gorduroso extra. O dado da pesquisa realizada na Universidade de Harvard sobre os probióticos(bactérias intestinais amigas) vem reforçar a importância da microbiota intestinal. Os famosos lactobacilos produzem inúmeras substâncias essenciais para o nosso organismo. Só para citar algumas: Imunoglobulinas (primeira linha de defesa imunológica); síntese de aminoácidos, como o tryptofano, que vai produzir lá no cérebro a serotonina; vitaminas do complexo B; ácidos orgânicos protetores da mucosa intestinal e, portanto, preventivo do câncer de cólon; e a produção de hormônios responsáveis pelas sensações de saciedade. Portanto, com menos fome, mais saciedade, vou comer menos e por consequência perco peso.

Para finalizar, as medicações antiobesidade são importantes em várias situações clínicas, porém em hipótese alguma darão certo a médio e longo prazo, sem que haja alterações nos hábitos de vida. É isso aí! No meu entendimento não há e não haverá droga capaz de atuar na complexidade da obesidade, em seus múltiplos aspectos e em suas várias facetas, muitas delas ainda desconhecidas. Medicação é um coadjuvante no tratamento para a perda de peso e não a parte principal. Vamos deixar o imediatismo de lado e focar no que realmente interessa.  Boa semana a todos, com muita saúde.


quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Suplementação nos Pacientes Diabéticos



Todos nós sabemos que o diabetes caracteriza-se pelo aumento da glicose no sangue; devido a deficiência absoluta ou relativa da insulina. A doença só vem aumentando, pois ela está intimamente relacionada com crescente número de obesos.

É sabido que uma alimentação inadequada é a principal causa da falta dos nutrientes. Porém, por mais que os profissionais de saúde insistam no tema de uma “alimentação balanceada”, as estatísticas confirmam que o hábito alimentar dos brasileiros é horrível.

Recente pesquisa* demonstra que nada menos que 90% dos tupiniquins não consomem a quantidade mínima indicada pela OMS de frutas, verduras e hortaliças. Este cenário não muda nos diabéticos. Pelo contrário. Além da grande maioria NÃO seguir hábitos saudáveis, os diabéticos tem aumentada a taxa de excreção de vários nutrientes pela urina( vide esquema abaixo ):


Então, se tenho um paciente diabético que não segue padrões alimentares saudáveis e está, ainda, com controle glicêmico insatisfatório, a suplementação é sempre considerada.

Suplementar é administrar um determinado nutriente que não esteja sendo consumido na dieta rotineira da pessoa. No caso em questão, os pacientes diabéticos podem ser beneficiados com uso de alguns. Vamos a eles:
  • Zinco: elemento essencial para várias reações no organismo. No diabético, ocorre aumento da excreção na urina, com redução da sensibilidade da célula à ação da insulina, agravando o aumento da glicemia. É particularmente responsável por proteger da retinopatia diabética (complicação que leva à cegueira).
  • Cromo e Vanádio: micronutrientes com funções também diversas. Inúmeros estudos tem demonstrado que a suplementação de curto a médio prazos tem ajudado a reduzir os níveis de glicose no sangue.
  • Magnésio: É co-fator de mais de 300 reações no organismo. Inúmeros estudos correlacionam déficits de magnésio com aumento da incidência dos casos de Diabetes.
  • Vitaminas C e E e selênio: é de conhecimento geral que o diabético tem um aumento do estresse oxidativo, que é a formação de radicais livres. Isto aumenta as complicações inerentes à doença, como: infarto, derrame cerebral, cegueira, insuficiência renal, etc. O uso de antioxidantes pode ser útil em vários casos, em especial nos casos que não estão com bom controle glicêmico.
  • Vitaminas D e B6: baixos níveis destas vitaminas provocam piora na função das células secretoras de insulina pelo pâncreas. O que leva a uma maior predisposição a se tornar um diabético e/ou piorar a situação quando a doença já está instalada.

Estes são apenas alguns exemplos do que uma deficiência nutricional, NÃO CORRIGIDA, pode acarretar ao paciente diabético. A suplementação em diabéticos ainda é controversa no meio acadêmico, porém vários estudos já apontam seus benefícios.**

Para mim é certo que a suplementação tem o seu lugar no tratamento, controle e prevenção do Diabetes.

Este texto não pretende estimular às pessoas portadoras do diabetes a fazerem uso, por conta-própria, de suplementos prontos de “A a Z”. A suplementação deve ser feita SEMPRE por profissional capacitado.

Boa semana a todos.

Bibliografia
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quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Homocisteina: Já mediu a sua?


Você já ouviu falar dos fatores de risco para as doenças cardiovasculares (DCV)? Para citar as principais:

  • Hipertensão arterial;
  • Diabetes Mellitus(glicose alta);
  • Colesterol alto;
  • Triglicérides alto;
  • Alimentação desbalanceada;
  • Obesidade;
  • Fumo;
  • Sedentarismo;
  • Homocisteína alta.
Se já conhece todos e os controla de forma adequada, pode parar de ler o texto. Se nunca ouviu falar na homocisteina, dê continuidade a este breve texto. Poderá te ajudar.

A homocisteina alta no sangue é tão deletéria quanto um colesterol e/ou um triglicérides alterados; também responsáveis pela aterosclerose; que em última análise é o entupimento das artérias, que levam aos infartos no coração (IAM) e no cérebro (AVC). A DCV é a principal causa de morte no Brasil e em todo o MUNDO.

A Homocisteina é um aminoácido que provém de outro aminoácido, a Metionina, que por sua vez, vem das proteínas da nossa alimentação. Quando ela ( Homocisteina ) é formada, irá dar seqüência a outras reações bioquímicas necessárias ao nosso organismo. No esquema abaixo, podemos observar que a homocisteina faz um “caminho metabólico” e, para isso, são necessários vários nutrientes que são os co-fatores( facilitadores ) destas reações; neste caso: as vitaminas B6, B12, B9(ácido fólico), betaína e o SAME ( S-adenosilmetionina ) .

Você não entendeu NADA desta reação aí em cima? Não tem problema. Quem tem de saber mesmo é seu médico.

O que você deve saber é que uma HOMOCISTEINA alta no sangue, mesmo com um colesterol sob controle, é causa de doença coronariana em 30% das pessoas. Sendo, pois, um fator de risco ALTÍSSIMO para as doenças cardiovasculares, tipo infarto do miocárdio.

Pesquisa recente do IBGE mostra que 90% dos brasileiros comem muito mal; com ingestão insuficiente de frutas, verduras e legumes. Estas vitaminas e outros nutrientes estão justamente aí; nestes alimentos. Portanto, sem estas substâncias provenientes de uma nutrição adequada, a homocisteina aumenta progressivamente e vai danificando as artérias com o passar do tempo.

Resumindo: Peça a medição da homocisteina no sangue em seu próximo check’up. Se estiver alta, procure orientação com seu médico.

Dicas básicas para reduzir a homocisteina alta:

1 - Coma mais carne, lacticínios, cereais e folhas verdes escuras; ricas nestes nutrientes. Tem dúvida na alimentação para este problema?Pergunte para as nutricionistas da Liga da Saúde.

2 - Se mesmo assim permanecer alta, uma suplementação extra com B6, B12 e ácido fólico pode ser considerada; claro que realizada por profissional capacitado. Abraços e boa semana a todos.

Obs: Decidi escrever este texto por observar que boa parte das pessoas desconhece a homocisteína e que a mesma é pouquíssimo solicitada pelos colegas médicos. Não sei o motivo; ainda. Quem puder me ajudar nesta dúvida, desde já agradeço a colaboração.