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quinta-feira, 12 de junho de 2014

Exames Complementares – Sobre eles, pense nisto


“Mas Dr…. Eu já fiz exames completos com outros profissionais de saúde e deu tudo normal. Então, o que tenho? Tenho mesmo algum distúrbio”?

Este tipo de comentário é muito comum em consultório e aqui na internet. Sobre ele, esclareço:

1 – Se alguém se queixa de algo, é CLARO que tem algum distúrbio! Se não orgânico, ao menos “psiquiátrico” ao achar que tem algo e preocupar-se com isso, concordam?

2 – Cada profissional de saúde pede os exames que acha necessários. Ou seja, o que um julga “completo” pode não incluir vários, até dezenas, que outro profissional de saúde pediria – Cada ser humano tem sua cabeça, sua opinião e condutas sobre tudo e profissionais de saúde são… Seres humanos, certo? “Tudo” para um profissional, portanto, pode ser algo bem incompleto para outros.

3 – O que é um resultado “normal” para um exame?

...

Leia o texto completo em:

http://www.icaro.med.br/artigos/exames-complementares-pense-nisto.html/

sábado, 1 de março de 2014

O que é normal?


Sabe quando o profissional de saúde que está cuidando de você pede um exame? Pode ser de sangue, urina, fezes, imagem ou qualquer outro tipo, mas você sempre quer saber se está "normal" ou não. É um direito seu.

Saiba de uma coisa muito importante: a posse do exame é SUA. De quem era o sangue? E o cocô? De quem foi o pulmão radiografado ou o pâncreas "ultrassonografado"? Não foi tudo seu? Então, inclusive pelo código de ética médica, o exame é seu. Você tem todo o direito de abrir, ler, riscar, rasgar, tocar fogo ou coisa pior... e pode, também, entregar para o profissional ler o resultado (essa é, quase sempre, a melhor opção).

Só tem um problema é um só: afinal de contas, em se tratando de resultados de exames, o que é normal?

Somos levados a crer que são os valores dentro dos intervalos de referência, ou os "valores normais" dos exames. Isso leva, tanto leigos quanto profissionais, a cometer muitos enganos. Para que você entenda isso, vamos dar uma olhada no conceito de NORMAL pelo dicionário Caldas Aulete:


(nor.mal)
a2g.
1. Que é natural ou habitual (reação normal).
2. Que é segundo a norma ou padrão
3. Que é usual, comum, habitual, corriqueiro: "Mas não faz mal, é tão normal ter desamor" (Antônio Carlos & Jocafi, Você abusou))
4. Mental e fisicamente saudável (diz-se de pessoa).
5. Pop. Que não foge, em termos de comportamento, à regra da maioria das pessoas
6. Fig. Que é social ou moralmente aceitável: "Não posso aceitar sossegado qualquer sacanagem ser coisa normal" (MIlton Nascimento & Fernando Brant, Bola de meia, bola de gude))
7. Diz-se de pele, cabelo etc. que não é seco nem oleoso
8. Diz-se de curso do ensino de nível médio para formação de professores primários.
sm.
9. Esse curso.
10. Pessoa normal (4): "Eu juro que é melhor/ Não ser um normal" (Rita Lee & Arnaldo Baptista, Balada do louco))

sf.
11. Geom. Reta perpendicular à curva ou superfície.
[Pl.: -mais.]
[F.: Do lat. normalis, e.]


Ufa... Pronto! 11 referências. É um termo sujeito a diversos pontos de vista. OK. Vemos normal como natural, habitual, padrão, norma, usual, corriqueiro... até mesmo em uma referência a saudável, referindo-se a uma pessoa, mas observe:


EM ALGUM LUGAR VOCÊ LEU QUE NORMAL É "O CORRETO"?! Sei que não.


Você não leu, simplesmente, porque não é o caso. O normal, das faixas de referência dos exames, em geral se refere à frequência de um resultado em uma população e precisa, inclusive, muitas vezes ser "regionalizado" para servir como referência que valha. Isso significa que "o normal" pode variar de país para país, região para região, povo para povo. Isso significa, também, que o normal é, em boa parte dos exames, o que "normalmente ocorre", e não o que seja ideal ou perfeito para cada pessoa.

Este "normal" é relativo!

A avaliação de um exame complementar vai muito além da simples comparação dos resultados a tabelas e faixas numéricas. É necessário ponderar os resultados e, não raro, relacionar vários resultados entre si para chegar a uma conclusão realmente útil. Isso tudo tem um motivo muito simples: nosso organismo é composto por muitos sistemas menores que se integram em um sistema maior. Nosso corpo é um complexo de inter-relações e precisa ser avaliado assim.

Também precisamos considerar que, já que as faixas de "normalidade" geralmente têm mais relação com a frequência de uma faixa de resultados do que com estes serem ideais ou não, muitas vezes o ideal para um paciente será um valor específico, ou faixa de valores, dentro desta faixa. Por exemplo, apesar dos valores para insulina sérica em jejum terem como "faixa normal" valores entre 2,5 e 25, eu sempre vou preferir que um paciente meu apresente um valor inferior a 10 ou, até mesmo, a 8, pois são valores que demonstram um sistema de resposta insulínica mais saudável, na presença de uma glicemia dentro do desejável.


Por conta de tudo isso que eu citei acima, lembre que o exame é seu, mas a leitura dos resultados é muito mais complexa do que parece. Se você é impressionável, talvez valha a pena não ler nada mesmo e esperar para o profissional de saúde avaliar tudo e esclarecer.

Não vá se jogar do banquinho embaixo, certo? Peça esclarecimento. Pode ser que seja tudo normal.

Normalmente.


Dr Adolfo Duarte - CRM-BA 15.557


terça-feira, 16 de julho de 2013

Seu MÉDICO é quem sabe de quais exames você precisa e NÃO seu "plano de saúde"


Ultimamente, nota-se que os médicos têm sido vítimas constantes de representações nos Conselhos Regionais, oferecidas por companhias de seguro saúde que, interessadas em se esquivarem das suas obrigações, acusam os profissionais de requisitar exames além do necessário.

Tendo sido consultados, recentemente, sobre o assunto (possibilidade do médico solicitar ao seu paciente quantos exames julgue necessários), por um grupo de médicos ortomoleculares, fizemos vasta pesquisa e não encontramos qualquer óbice legal ou limitação para tal requisição.

De outro lado, detectamos que as operadoras de plano de saúde são useiras e vezeiras na prática de tentar se utilizar dos Conselhos Regionais de Medicina para tolher a prática médica e diminuir os seus ônus securitários, a exemplo de demanda provocada por circular em que determinada gestora vedava que profissionais de saúde realizassem os exames ultrassonográficos requisitados por eles mesmos.

Com efeito, o Código de Ética Médica estatui o direito do médico de prescrever ao seu paciente os procedimentos e exames que julgue necessários para tratá-lo, sendo, a seu turno, direito desse paciente ter acesso aos tais tratamentos e exames. Vimos, entretanto, que os planos de saúde têm se utilizado da vedação insculpida no art. 42 do próprio Código, em que se proíbe a prática de atos médicos desnecessários, para arrazoar a suas representações.

Deste modo, a controvérsia cinge-se à apuração da "necessidade" dos exames requisitados pelo profissional de saúde, donde emerge outro questionamento, não menos importante, sobre a independência do médico no atendimento aos seus pacientes. Sem embargo, acreditamos que tal tese cai à lona mediante a demonstração de que os exames solicitados visam a investigação clínica dos indicativos de saúde do paciente, permitindo o ataque direto às suas deficiências e melhorando a sua qualidade de vida. Tal averiguação, entretanto, precisa ser procedida por perito médico, com capacidade técnica para atestar que os exames não destoam do fim a que se colimam.

Assim, apontamos duas formas de se solucionar o problema apresentado, aguardar a reclamação do plano de saúde para responder contundentemente à sindicância ou buscar o Judiciário preventivamente, para que se evitem problemas éticos futuros. Ressaltamos que temos plena convicção de que qualquer condenação dada pelos Conselhos pode ser revertida na Justiça, salvo em casos em que realmente tenha havido abuso por parte do médico, daí, voltamos a ressaltar, a importância da perícia para confirmar a necessidade dos exames.

Por fim, merece destaque o fato de que a conduta preventiva do médico, contra essa odiosa prática dos planos de saúde, encontra respaldo constitucional, tanto sob o aspecto da liberdade de exercício profissional quanto sob a luz do direito do paciente de ter amplo e irrestrito acesso à saúde.

* O autor:
Lauro Augusto V. S. Pinheiro é advogado, sócio do Hayne e Pinheiro Advocacia e Consultoria, pós-graduado em Direito Empresarial e em Direito Tributário pela Universidade Católica do Salvador, especialista em International Commercial Contracts pela Università di Bologna e atuante na defesa dos direitos do médico. E-mail: lauro@pbb.adv.br Site: www.haynepinheiro.com.br

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Exames Complementares – Pedir é fácil, já interpretá-los direito...


Quando um exame é solicitado, habitualmente os laboratórios mandam junto aos resultados as referências de “normalidade”, ou seja, os valores “normais” ou mesmo “aceitáveis” para cada exame, assim visando “auxiliar” o trabalho de quem vai interpretar o exame... Só que isto pode, na verdade, acabar atrapalhando os menos atentos, desatualizados ou simplesmente despreparados; vejamos alguns motivos:

  •  Os valores apresentados às vezes têm intervalos “aceitáveis” grandes demais, com valores máximos até mais que 1000% dos valores mínimo!   
  • As referências “normais” muitas vezes variam de acordo com o quadro clínico de cada paciente – desta forma, o valor adequado para um paciente pode definitivamente não ser o mesmo para outro;
  • O resultado de um exame freqüentemente altera os parâmetros para outros, novamente de acordo com cada caso em particular;
  • Dieta, sono, jejum, uso de medicamentos/suplementos, exercícios físicos, dia/noite anterior (à realização dos exames) e diversos outros fatores alteram os resultados e confiabilidade/parâmetros.
  • Vários laboratórios ainda apresentam valores de referência desatualizados - por exemplo, o valor aceitável para TSH (hormônio liberado pela hipófise para estimular a tireóide) já há anos tem indicação de ser menor que 3 microgramas/ml mas ainda aparece escrito constantemente como “normal” até 5! Para quem quiser mais informações, sugiro ler isto: http://www.indatir.org.br/noticia1_nov04.htm
Vejamos agora alguns exemplos de como parâmetros “engessados”, amplos demais, desatualizados ou mesmo equivocados (conforme escritos em laudos de alguns laboratórios) podem gerar confusão e, assim, prejudicar o paciente:
  • DHEA (importante hormônio que tem centenas de ações próprias e é precursor, direto ou indireto, de outros importantes como testosterona e estradiol – notícias recentes sobre sua importância por exemplo em http://saude.terra.com.br/noticias/0,,OI5534957-EI16557,00-Pilula+contra+menopausa+diminui+ondas+de+calor+e+devolve+a+libido.html). Para a sua avaliação, é mais indicada a dosagem da sua forma mais estável, o SDHEA (sulfato de dehidroepiandrosterona), cujo valor de normalidade para mulheres é de 34 a 430! Será mesmo, então, que tanto alguém com dosagem de 35 estão tão “normal” quanto alguém com 429? É claro que não e, particularmente e no geral, não julgo valores menores que 200 como sequer aceitáveis.
  • Ferritina (proteína de “armazenagem” do ferro; se baixa, pode significar principalmente carência de ferro mas também baixa quantidade de proteínas no organismo ou mesmo problemas hepáticos. Para homens, seu valor de referência está entre 22 a 322 – Não é este um intervalo grande demais de “normalidade”?
  • Ácido Fólico (vitamina fundamental à vida, que tem muitas funções como por exemplo: atuar na síntese de proteínas, na multiplicação de celular, reconstituição dos tecidos e mesmo prevenção de anemias). Para ambos os sexos, seu valor “normal” está entre 3 e 17 ng/ml – O curioso é que a maioria dos pacientes que atendo, quando referem sentir-se BEM, está com valores acima do máximo aqui apresentado...

Por isso, repito o conselho já dado anteriormente: escolha BEM os profissionais que vão cuidar da sua SAÚDE pois ter registro em um conselho profissional não necessariamente indica proficiência/experiência na sua área de atuação. Dicas para ajudar nesta escolha no artigo já publicado anteriormente: http://www.icaro.med.br/alguns-conselhos-para-quando-voce-%E2%80%9Cresolver%E2%80%9D-cuidar-da-sua-saude/
Um abraço

Dr. Ícaro Alves Alcântara

** O Texto acima é de responsabilidade do autor. Para dúvidas sobre o conteúdo do texto, deixe seu comentário ou entre em contato com o autor através dos contatos disponibilizados em sua assinatura.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Orientações pré-consulta




Muitos acham que basta ir ao médico* e ir falando suas queixas (pelo menos as que são lembradas no momento da consulta) para que ele rapidamente chegue a um diagnóstico e prescreva um tratamento. Ledo engano... Afinal, se todos nós buscamos bons conselhos e condutas que levem a ótimos resultados, um tratamento de sucesso precisa ser o mais acertado e factível ante as necessidades individuais de cada paciente; para ser acertado, entretanto, precisa estar embasado em hipóteses diagnósticas adequadas; e estas somente são possíveis quando os dados a que o médico tem acesso são de qualidade: completos, detalhados e confiáveis. De onde vêm estes dados? Parte do exame físico do paciente (quando aplicável e na medida do necessário), parte provém dos exames complementares mas, sem sombra de dúvida, a parcela mais importante vem do relato do paciente (por vezes também dos seus acompanhantes), da história que ele conta para o médico. E é claro que existem bons e maus profissionais em qualquer área (mais ou menos disponíveis, mais ou menos interessados em você, mais ou menos “apressados”, mais ou menos capazes nas suas áreas, mais ou menos humanos e mesmo mais ou menos felizes com o que fazem – Um pouco mais sobre isso e questões afins em: http://www.istoe.com.br/reportagens/182300_A+PRAGA+DAS+CONSULTAS+A+JATO?pathImagens=&path=&actualArea=internalPage), pacientes que informam melhor ou pior (Mais sobre em http://ligadasaude.blogspot.com/2011/12/mentiras-no-consultorio.html) e mesmo exames de maior ou menor qualidade/adequação a cada caso mas um ponto é unânime e decisivo em toda esta questão: é a qualidade da informação o fator crucial para o sucesso do seu tratamento, em beneficio da sua Saúde!

Assim sendo, forneço a seguir algumas dicas para que você possa tornar sua consulta mais produtiva e assim ajudar o seu médico* a te ajudar com a SUA saúde:
- Conheça seu profissional de saúde
Converse com quem já consultou com ele, pegue informações, busque na internet... E se ele tiver material publicado ou mesmo um site, leia mais sobre como ele trabalha, seus artigos, suas idéias e mesmo condutas.
> No meu caso, brinco com meus pacientes que a maioria nem precisaria ter consultado presencialmente se tivesse lido e seguido direitinho as orientações nas dezenas de artigos em Saúde gratuitamente disponíveis para consulta no meu site www.icaro.med.br
- Anote suas queixas e leve suas anotações para a consulta
Não confie só na sua memória ou decerto vai esquecer de relatar MUITA coisa importante no momento da consulta. Procure dividi-las, por exemplo, entre as mais e menos importantes, mais e menos atuais e em ordem cronológica de aparecimento; e é claro: fatores de melhora e de piora são sempre importantes.
- Leve seus exames mais recentes
Isto poupa tempo e pode tornar menos “novos exames” necessários, adiantar a prescrição e melhor orientar a conduta.
- Leve seus medicamentos/suplementos
Leve-os ou pelo menos seus rótulos ou mesmo nomes, dosagens e formas de uso.
- Fale tudo e tire todas as suas dúvidas
Por mais que seja possível o contato posterior via email, telefone, redes sociais e cia, o melhor momento para relatar e tirar dúvidas é durante a consulta; portanto, pergunte, discuta.
- Retorne
Um tratamento pressupõe ACOMPANHAMENTO e isto é impossível se você não volta ao médico para dizer-lhe como ficou, como está. Basicamente, leve anotados: o que você fez (sobre o que foi orientado), o que melhorou, o que piorou, o que ficou igual e relato de sintomas novos – e resultados dos exames complementares que foram solicitados.
- Se não puder comparecer, avise ou desmarque
Se seu profissional é tão bom assim, acredite: outros pacientes poderiam se beneficiar da vaga que você não puder mais ocupar naquele momento.
* Em boa parte, acredito que o conteúdo deste artigo refira-se à avaliação clínica pormenorizada por parte dos profissionais de saúde em geral
E por tudo isso: Saúde!
Abraço!
Dr. Ícaro Alves Alcântara
www.icaro.med.br

*** O Texto acima é de responsabilidade do autor. Para dúvidas sobre o conteúdo do texto, deixe seu comentário ou entre em contato com o autor através dos contatos disponibilizados em sua assinatura.