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sábado, 4 de julho de 2015

Órgãos reguladores e suas decisões...


O que leva um órgão regulador nacional a tomar decisões, em geral, no mínimo incoerentes, pra não 
dizer pior?

Ontem, dia 02/07/2015, tomei conhecimento da notícia de que a ANVISA, contrariando uma lei, aprovou o uso de um agrotóxico, mais nocivo do que outros liberados para a mesma finalidade. Segundo a lei, de 1989, não deve conseguir registro um produto que seja mais nocivo do que outros já existentes.  A agência alega um "erro" de classificação e, mesmo sem todos os laudos conclusivos, optou pela liberação do produto. Outros casos similares já ocorreram, no passado e, mesmo com denúncias e pareceres em contrátio da AGU, os erros continuam se perpetuando. (Todas estas informações vêm diretamente da reportagem da Folha de São Paulo de ontem).

Parece mentira, né? Quando eu leio estas coisas eu também fico assim. É como se fosse uma anestesia mental. Como se fosse uma história de ficção, ou de teorias da conspiração, mas o pior é que é a realidade. Pessoas reais, com funções e compromissos públicos reais, tomam decisões que contrariam uma LEI para liberar um produto que vai causar MAIS MAL a outras pessoas que, supostamente, elas deveriam estar defendendo.

Não tem como a gente não pensar as piores coisas. Na melhor das hipóteses, as pessoas envolvidas não têm capacidade técnica para decidir (eu duvido um pouco). Na pior das hipóteses... vocês têm visto o que acontece no nosso país, em outras notícias, sobre outros temas. Este não seria diferente. Ficamos no campo das hipóteses, perdidos no achismo, mas seria impossível pensar diferente com algo tão absurdo acontecendo.

O que mais me deixa abismado é que esta mesma agência, estas mesmas pessoas, o mesmo ministério também, dificultam e/ou impedem a entrada, no nosso país, de substâncias como a melatonina e o DHEA, vendidas livremente em países que têm agências reguladoras extremamente eficientes e respeitadas. Quando a gente pondera isso, se pergunta: por que são proibidos então? São tóxicos? São nocivos à saúde? NÃO! Nada disso.

A melatonina é um hormônio fantástico, produzido no nosso encéfalo, com funções que envolvem a boa qualidade do sono e um potencial antioxidante simplesmente INCOMPARÁVEL. Se você quer ter saúde cerebral, precisa ter níveis adequados de melatonina. A partir dos 30 anos, aproximadamente, a produção natural apenas cai, o que justifica a suplementação, sempre em doses pequenas e individualizadas. Já vi um número enorme de pessoas recuperarem um sono de qualidade e melhorarem muito suas vidas com o simples uso deste suplemento. O DHEA, por sua vez, é um hormônio produzido nas glândulas supra-renais que, além de servir para se converter em outros hormônios, como testosterona e estradiol, tem função na manutenção da saúde cerebral, melhorando a memória, a assertividade, a libido e protegedo o cérebro contra os excessos de cortisol.

Cadê os malefícios destas duas substâncias, por exemplo? Como qualquer suplemento alimentar, meidcamento ou, até mesmo, alimento, elas precisam ser utilizadas corretamente para serem plenamente benéficas para a saúde. Você conhece algo que não seja assim? Estas duas substânias, no uso correto, só trazem BENEFÍCIOS à saúde humana. Por que não estão liberadas? Mistéééério...


Enquanto isso, ao nosso redor, o paracetamol, molécula lícita que mais males à saúde causa no mundo, entre os medicamentos, continua liberado e sendo vendido sem receita...

E aí? Será que regulam nossa saúde... ou nossas doenças?


Dr Adolfo Duarte - CRM-BA 15.557 

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Regulando o quê mesmo?


Fui surpreendido hoje.

Uma paciente me indicou a leitura de uma notícia no endereço


Em resumo, a ANVISA proibiu a comercialização de mais quatro suplementos alimentares no Brasil. Isto não é nada incomum aqui. As proibições são muitas e, muitas vezes, ganham grande espaço na mídia (como visto em Proibir X Educar).

O que me surpreendeu, de fato, não foi a notícia. Como já citei, proibições são muito comuns por aqui. A surpresa reside nos argumentos citados pela reportagem. Vamos vê-los um a um:

ISOFAST-MHP
ARGUMENTO: conter BCAA na sua composição.
COMENTÁRIO: é difícil até de comentar isso. A Isofast é composta por whey (proteína do soro do leite) hidrolisada, que é a proteína natural com maior teor de BCAAs e sua composição. Era pra ter o quê?

ALERT 8-HOUR-MHP
ARGUMENTO: conter taurina em sua composição.
COMENTÁRIO: vão proibir o RedBull? Ele também tem taurina.

CARNIVOR
ARGUMENTO: teores de vitamina B12 e B6 acima das recomendações diárias e por conter Glutamina Alfa-Cetoglutarato (GKC), Ornitina Alfa-Cetoglutarato (OKG) e Alfa Cetoisocaproato (KIC).
COMENTÁRIO: B6=6,5mg e B12=100mcg por dose. Pode fazer mal a alguém?! Estes valores de recomendações diárias precisam de uma séria revisão há muitos anos. Fora isso, pelo menos o OKG e o KIC já eram suplementos de sucesso quando eu comecei a conhecer este tema, há 22 anos atrás!

PROBOLIC-SR-MHP
ARGUMENTO: não haver comprovação de segurança de uso.(?!?!?!)
COMENTÁRIO: se não há, COMO ESTAVA LIBERADO PARA IMPORTAÇÃO E VENDA?!?!




O caso do último produto é que me leva ao questionamento máximo: se todos estes produtos apresentam "tantos problemas", por que estavam liberados para importação e venda? Esta avaliação não é feita antes? Será que estamos sujeitos a comprar mais "produtos problemáticos"? Será que produtos de renome internacional conseguiram enganar as agências de diversos países mais desenvolvidos que o nosso mas foram detectados como problema pela fantástica e altamente tecnológica ANVISA? (Nós somos o máximo!)

Ironias à parte, os argumentos são tremendamente falhos e só mostram o quanto o assunto suplementos alimentares ainda é negligenciado no nosso país. O tratamento que o tema recebe é, pra dizer o mínimo, ridículo. Não parece haver capacidade técnica suficiente para avaliação pelos órgãos normatizadores e fiscalizadores. Isso me surpreende muito, visto que alguns dos maiores gênios da suplementação alimentar estão aqui no Brasil.

Já passou da hora de isso mudar. Esta conduta, baseada em um misto de ignorância e aparente má-vontade, estimula um "mercado negro" de suplementos e a falta de informação entre os praticantes dos esportes que seriam beneficiados pelos mesmos. Muitos deles acabam recorrendo ao uso de esteróides por pura e simples desinformação. Se tivessem os suplementos corretos disponíveis e as informações claras, provavelmente não recorreriam a isso.

Finalizando, é difícil considerar as decisões de órgãos que ainda não abriram os olhos para úma das moléculas lícitas que mais mata no mundo: o paracetamol! Ele não é proibido. Ninguém regula, por exemplo, o consumo de álcool, principalmente entre os jovens. Algumas leis existem mas pouco são cumpridas. Se algum suplemento apresenta incorreções em sua composição, não deveria nem mesmo ser liberado para comercialização. De qualquer forma, é preciso um órgão regulador com competância para regular isso, agindo com transparência também.

Regulação tem que ter coerência. Tem que ter ciência.


Dr Adolfo Duarte - CRM-BA 15.557 
www.clinicasallus.com.br 
adolfoduarte.blogspot.com