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sexta-feira, 12 de abril de 2013

Segundo pesquisa, carne vermelha muda bactérias intestinais e causa aterosclerose....



Parece que o problema de comer muita carne vermelha não tem a ver apenas com o colesterol.
Uma substância abundante nas carnes vermelhas, vendida como suplemento alimentar e adicionada em bebidas energéticas provoca a aterosclerose - o endurecimento ou o entupimento das artérias - e aumenta o risco de outras doenças cardiovasculares.
O nome da substância denuncia sua origem: carnitina.
As bactérias que vivem no trato gastrointestinal humano metabolizam a carnitina, transformando-a em trimetilamina-N-óxido (TMAO), um metabólito já associado à aterosclerose em seres humanos em estudos anteriores.
Além disso, a nova pesquisa constatou que uma dieta rica em carnitina promove o crescimento das bactérias que metabolizam a carnitina, agravando o problema através da produção de mais do "entupidor de artérias" TMAO.
O estudo analisou os níveis de carnitina e TMAO em pessoas onívoras (que comem de tudo), vegans e vegetarianos, além dos dados clínicos, de 2.595 pacientes submetidos a avaliações cardíacas preventivas.
Os cientistas avaliaram também os efeitos cardíacos de uma dieta reforçada com carnitina em camundongos normais em comparação com camundongos com níveis artificialmente menores de microrganismos do intestino.
Nos animais, o TMAO altera o metabolismo do colesterol em múltiplos níveis, explicando como ele aumenta a aterosclerose.
Os níveis mais elevados de carnitina nos pacientes humanos funcionou como um indicador fiel do aumento dos riscos das doenças cardiovasculares e grandes eventos cardíacos, como ataque cardíaco, derrame e morte, mas apenas em indivíduos simultaneamente com altos níveis de TMAO.
Além disso, os pesquisadores descobriram tipos específicos de bactérias do intestino associados tanto com os nível de TMAO no plasma quanto com os padrões alimentares, e que os níveis basais de TMAO são significativamente menores entre os vegans e vegetarianos do que entre os onívoros.
Os vegans e vegetarianos, mesmo após ingerirem uma grande quantidade de carnitina na forma de suplementos não produziram níveis significativos das bactérias associadas ao TMAO, enquanto os onívoros tiveram esse efeito após consumirem a mesma quantidade de carnitina.
Nutriente não essencial
"As bactérias que vivem em nossos tratos digestivos são determinadas pelos nossos padrões de dieta de longo prazo. Uma dieta rica em carnitina realmente muda a nossa composição microbiana do intestino, beneficiando aquelas que gostam de carnitina, tornando os comedores de carne ainda mais suscetíveis à formação de TMAO e seus efeitos de entupimento das artérias," explica o Dr. Stanley Hazen, da Universidade Case Western (EUA), coordenador do estudo.
"Enquanto isso, os vegans e vegetarianos têm uma capacidade significativamente reduzida para sintetizar a TMAO da carnitina, o que pode explicar os benefícios para a saúde cardiovascular dessas dietas."
"A carnitina não é um nutriente essencial, o nosso corpo produz naturalmente tudo o que precisamos," prossegue o pesquisador. "Precisamos avaliar a segurança do uso crônico de suplementos de carnitina, já que, como nós mostramos, sob certas condições, eles podem favorecer o crescimento de bactérias que produzem TMAO e potencialmente obstruem as artérias."
Fonte: Diário da Saúde

sábado, 27 de outubro de 2012

Nova forma de combater colesterol alto derruba teorias...



A arteriosclerose - o endurecimento das artérias, a principal causa de doenças cardiovasculares e morte - tem sido considerada uma consequência de interações complexas entre o excesso de colesterol e as inflamações que esse excesso causa no coração e nos vasos sanguíneos.
No entanto, uma equipe congregando especialistas de várias universidades dos Estados Unidos afirma agora que essa relação não é exatamente o que parece.
Na verdade, um precursor do colesterol tem um papel oposto, suprimindo genes da resposta inflamatória.
A boa notícia é que essa molécula precursora pode fornecer um novo alvo para medicamentos destinados a tratar a arteriosclerose - ou aterosclerose.
Células do sistema imunológico chamadas macrófagos (do grego "grandes comedores"), cuja função essencial é consumir outras células ou matéria identificada como estranha ou perigosa, patrulham constantemente nossas paredes arteriais.
"Quando elas fazem isso, isto significa que elas consomem o depósito de colesterol de outras células," explica Christopher Glass, da Universidade da Califórnia. "Como resultado, elas desenvolveram formas eficazes de metabolizar o excesso de colesterol e livrar-se dele."
Mas alguns macrófagos não descartam adequadamente o excesso de colesterol, permitindo que ele se acumule dentro delas mesmas como gotas de lipídios espumosos, o que dá as essas células seu nome muito peculiar: células espumosas ou macrófagos espumosos.
Esses macrófagos espumosos produzem moléculas que ativam outras células do sistema imunológico, sinalizando para determinados genes que iniciem uma resposta inflamatória.
O Dr. Glass afirma que os cientistas têm assumido que as lesões ateroscleróticas - aglomerados de macrófagos espumosos repletos de gordura concentrados dentro das paredes arteriais - são uma consequência prejudicial de uma associação crescente entre a acumulação de colesterol e a inflamação.
Mas eles e seus colegas fizeram duas descobertas inesperadas que desestruturam essas suposições sobre como as lesões ateroscleróticas se formam e como a aterosclerose pode ser mais eficazmente tratada.
"A primeira é que a formação de macrófagos espumosos suprime a ativação de genes que promovem a inflamação. Isso é exatamente o oposto do que achávamos que acontecia," disse Glass.
"Em segundo lugar, identificamos uma molécula que ajuda os macrófagos normais a gerir o equilíbrio do colesterol. Quando o colesterol é abundante, ela liga uma via celular para se livrar do colesterol e desliga as rotas que produziriam mais colesterol."
A molécula é o desmosterol - o precursor final na produção de colesterol, que as células fabricam e usam como um componente estrutural das suas membranas.
O pesquisador explica que, nas lesões ateroscleróticas, a função normal do desmosterol parece estar "avariada".
"Esta é a próxima coisa a estudar, por que isso acontece," disse Glass, levantando a hipótese de que a causa pode estar ligada a sinais pró-inflamatórios muito fortes vindos de proteínas chamadas receptoras do tipo Toll, localizadas em macrófagos e outras células que, como os macrófagos, são elementos críticos do sistema imunológico.
A identificação da capacidade do desmosterol para reduzir o colesterol dos macrófagos dá aos cientistas um novo alvo potencial para a redução do risco de aterosclerose.
Já existe uma molécula sintética similar ao desmosterol, embora de triste história.
Na década de 1950, os cientistas desenvolveram uma droga chamada triparanol, que inibia a produção de colesterol, aumentando os níveis de eficácia do desmosterol.
A droga foi vendida como um medicamento para doenças do coração, mas foi logo banida do mercado por causar efeitos colaterais graves, incluindo a cegueira gerada por uma forma incomum de catarata.
"Nós aprendemos muito nesses 50 anos," propõe Glass. "Talvez haja um caminho agora para criar uma nova droga que imite a inibição do colesterol, sem os efeitos colaterais."
Fonte: Diário da Saúde