domingo, 8 de junho de 2014

Você conhece a musculatura do core, e sua importância?


O core é uma unidade integrada de 29 pares de músculos que suportam e estabilizam a bacia, pélvis e abdômen. Essa musculatura fica ao redor de toda região do tronco, na linha da coluna lombar. Os principais músculos do grupo são os abdominais, lombares, glúteos e oblíquos.
            O core é considerado o centro de gravidade do nosso corpo, pois é nele que vai parar boa parte da sobrecarga das inúmeras atividades que fazemos durante o dia, isso o torna uma região muito vulnerável. Essa vulnerabilidade é o que provoca o aparecimento das dores musculares, desvaios posturais e até da suscetibilidade a lesões nessa região, causando má postura, desconforto e falta de rendimento nas suas atividades, sejam elas físicas ou do seu dia a dia.
            Além disso, o core é uma região muito importante para a boa manutenção da postura no trabalho, nos estudos e, principalmente, durante os treinos, já que muitos dos exercícios realizados dependem de uma boa estabilidade desses músculos. Essa necessidade ficou mais evidenciada há alguns anos atrás, quando se popularizou o método de treinamento funcional, no qual as pessoas deixam de fazer exercícios simples - como empurrar ou puxar - e passam a executar uma complexidade maior. O treinamento funcional tem como princípio básico o trabalho muscular mais global e não isolado, como a musculação tradicional. O resultado desse trabalho é uma ativação maior do core, proporcionando um ganho maior na mobilidade dos praticantes de atividade física.
            Acrescente à sua rotina de treinamento esses exercícios, e veja o quanto sua musculatura do core vai ficar cada vez mais fortalecida, obtendo grandes benefícios posturais.



Seguem alguns exercícios básicos para fortalecer o core:


Perdigueiro

Em seis apoios  (joelhos, pés e mãos apoiados no chão), estenda o braço esquerdo para frente e perna direita para trás, de modo que ambos fiquem paralelos ao chão e alinhados com  a cabeça, o tronco e o quadril

REALIZE: 3 SÉRIES DE 8 A 10 REPETIÇÕES ALTERNANDO BRAÇOS E PERNAS.


Elevação de quadril


Deitada com pernas flexionadas, braços estendidos ao longo do corpo com as mãos segurando os calcanhares. Eleve o quadril ate desencostá-lo, pressionando bem o pés no chão e contraindo os glúteos.

REALIZE: 3 SÉRIES DE 15’’ A 20’’ REPETIÇÕES 



Prof. Wladimir Luna CREF 9533G-DF
Personal Trainer
Especialista em Treinamento Funcional CORE 360°
Professor do Synergy Treinamento Funcional, na rede de Academias Runway DF
Instagram: wladimirLuna_PersonalTrainer
Twitter: @wlad_personal
Facebook: wladimir Luna


sábado, 7 de junho de 2014

O que é OMEGA 3?


Há muito tempo eu percebo uma coisa muito interessante: muito se fala sobre omega-3 mas, aparentemente, as informações divulgadas acerca deste termo são, no mínimo, confusas no contexto geral.
Por "contexto geral" vamos compreender as informações gerais que são divulgadas na mídia e, inclusive, as informações que alguns profissionais passam para seus pacientes de forma fragmentada ou, até mesmo, incorreta. Isso acontece com muita frequência ao nosso redor, onde se generalizam muitos termos e aspectos dos mesmos e onde impera uma certa tendência a tirar conclusões e afirmar coisas sem o devido aprofundamento.
É isso mesmo, pessoal. É comum a gente ver alguém tomar uma "cápsula de 1000mg de omega-3" pensando que "omega-3" é uma substância e que, além disso, aquela cápsula contém exatamente 1000mg desta mesma substância. Tenho que dizer pra vocês: não é bem assim. Se você também pensa dessa forma, saiba que a culpa não é necessariamente sua. Afinal de contas, se não é um profissional da área, não tem nenhuma obrigação de saber sobre o que vou explicar. Agora, se você é profissional da área, atente para o seguinte:

1. OMEGA-3 NÃO É UMA SUBSTÂNCIA. Pois é. Omega-3 é uma classificação de ácidos graxos carboxílicos poliinsaturados que têm a dupla ligação no terceiro carbono contado a partir da extremidade oposta da carboxila. Bonito, né? Sei que parece uma esquisitice, mas concentre-se apenas no fato de que isso é uma classificação e não o nome das substâncias. Os nomes são muito mais "lindos" que isso! Veja estes exemplos: ácido alfa-linolênico (ALA), ácido eicosapentaenoico (EPA) e ácido docosahexaenoico (DHA). Já pode batizar seus filhos! Olha estas opções de nomes lindos! Sabe aquela sua cápsula de omega-3 que é cheinha de óleo de peixe? Ela tem EPA e DHA. Eles são SUPER-IMPORTANTES para sua saúde e, como eu disse antes, não preenchem os 1000mg da cápsula;

2. DOS 1000mg DA SUA CÁPSULA, EM GERAL APENAS 300mg SÃO DE OMEGA-3 ÚTEIS. Pasme! É isso mesmo. Em geral, temos 180mg de EPA e 120mg de DHA em cada uma das cápsulas. Existem outras com concentrações diferentes, proporções diferentes e volumes totais também diversos. Verifique sempre quando for comprar e questione o profissional que cuida de você sobre, especificamente, QUANTO DE QUAIS OMEGA-3 ELE QUER TE DAR.
Estas informações podem parecer básicas, simplórias, para você que já as conhecia, mas aposto que são grandes esclarecimentos para a maioria das pessoas normais. Por que essas informações são tão pouco exploradas e comentadas? Por que tantos profissionais usam omega-3 com seus pacientes e nem mesmo compreendem exatamente do que se trata? Pior de tudo, POR QUE TANTA GENTE ABRE A BOCA PARA FALAR BEM OU MAL DISSO SEM SABER, NEM MESMO, DO QUE REALMENTE SE TRATA?
O ALA é também um omega-3, essencial na alimentação, de origem vegetal. Seu corpo converte ele para DHA e EPA em uma pequena proporção. PEQUENA PROPORÇÃO! Ele é o omega-3 presente, por exemplo, no óleo de linhaça. É por isso que é importante salientar que, apesar de outras funções benéficas que possam ser atribuídas a ele, o óleo de linhaça não é uma boa opção para você ser suplementado com omega-3. Prefira o óleo de peixe ou os resultantes do processamento de algas ou krill. Não conte com sua conversão de ALA para EPA ou DHA pois ela não é suficientemente eficiente.
Feitos estes esclarecimentos, vamos apontar um detalhe: quando um estudo sério afirma ter utilizado 1000mg de omega-3 por dia com seus pacientes, ele não está falando daquela capsulazinha de concentração baixa, mas de uma concentração de 1000mg de um omega-3 específico ou de uma mistura entre alguns omega-3.
O EPA e o DHA são ácidos-graxos essenciais, que precisam ser ingeridos na sua alimentação e/ou suplementação e que têm função fundamental na modulação dos mecanismos inflamatórios no organismo humano. Seus efeitos benéficos se estendem da saúde dos vasos sanguíneos ao controle do colesterol, a modulação da dor e a capacidade de memória, raciocínio e preservação dos tecidos cerebrais. Use sempre sob orientação, mas não deixe de usá-los.
Coma peixes de água fria e profunda.

Tome seus suplementos de omega-3 sob orientação de profissional competente.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

ATIVIDADE FÍSICA E A FIBRILAÇÃO ATRIAL


Por, Júlio Caleiro – Nutricionista.

Dois novos estudos publicados recentemente dá credibilidade à ideia de que quando se trata de exercícios em demasia, não pode ser nada bom! No primeiro estudo, conduzido pelo Dr. Nikola DRCA (Hospital Karolinska University, de Estocolmo, Suécia) publicado 14 de maio de 2014, os investigadores relatam que os homens que se exercitaram por mais de cinco horas por semana, e que tinham mais de 30 anos, teriam maior risco de desenvolverem fibrilação atrial mais tarde na vida, em comparação com os homens que se exercitavam menos. O relatório também mostrou que idosos que caminhavam ou andavam de bicicleta por cerca de 1 hora por dia tiveram um risco significativamente menor de fibrilação atrial em comparação com os adultos mais velhos, que quase nunca realizam este tipo de atividade física de lazer.
No segundo estudo, liderado pelo Dr. Ute Mons ( Centro de Pesquisa do Câncer Alemão, Heidelberg – Alemanha), e também publicados sobre o coração, os pesquisadores estudaram a associação da atividade física em 1038 indivíduos com doença coronariana estável, e confirmaram as descobertas anteriores de um risco aumentado de efeitos adversos em pacientes inativos. “No entanto, eles também descobriram que aqueles que participaram de atividade física” extenuante” diariamente tiveram um risco aumentado de morte por causas cardiovasculares .
“ Nossos dados indicaram uma associação de forma reversa, em mortalidade cardiovascular associando atividade física de forma moderada”, escreve Mons e colegas.” Ambos os pacientes ‘inativos’, e os ‘diariamente ativos’ aumentaram os riscos de mortalidade em comparação com o grupo de referência de pacientes, que eram ‘ativos apenas duas a quatro vezes por semana’, mas com os perigos de ser maior no grupo inativo”.
O que significa esta descoberta?
Em um editorial os Drs. Eduard Guasch e Lluís Mont (Universidade de Barcelona, ​​Espanha) notaram que ambos os estudos são limitados, mas ainda levantam questões clínicas importantes. Por exemplo, com o trabalho de ‘Mons et al’ estudo com pacientes com doenças isquêmicas do coração, apresentaram resultados que contrariam o que é conhecido popurlamente. “..Um aumento em todas as causas de mortalidade cardiovasculares  nos grupos mais ativos, é o resultado mais desafiador do estudo”, escrevem Guasch e Mont. Embora a atividade física e doença cardíaca isquêmica agravante, parece ser  ‘contraditório’,  pequenos estudos têm sugerido que pode ser possível realmente.  Para aqueles com doença existente, a atividade física pode contribuir para um ambiente pró-inflamatório.

Fibrilação Atrial - Riscos com o aumento do Exercício
No outro papel, DRCA analisou o efeito da atividade física de diferentes tipos e efeitos, em diferentes idades sobre o risco de fibrilação atrial em 44.410 homens suecos, com idades entre 45 e 79 anos de idade. Todos os pacientes preencheram um questionário e avaliaram o tempo gasto na atividade física em 15, 40 e 50 anos de idade. Após 12 anos, os homens que se exercitavam mais de 5 horas por semana, aos 30 anos tinham 19% maior risco,  de desenvolver fibrilação atrial do que os homens de 30 anos, que se exercitavam menos de 1 hora por semana. O risco persistiu independentemente se deram ou não continuidade a atividade física ao longo da vida. Na verdade, os homens que se exercitavam mais de 5 horas por semana com 30 anos, e depois pararam com os exercícios, tinham 49% mais riscos de desenvolver fibrilação atrial em comparação com aqueles que se exercitaram com de 30 anos.
Andar a pé ou de bicicleta com (idade média de 60 anos), foi associado com uma relação de 13% menos risco, de desenvolver fibrilação atrial em comparação com aqueles que não caminhavam, ou não andavam de bicicleta. Em seu artigo, ‘DRCA et al’ enfatizam os efeitos positivos da atividade física e sugerem aos médicos fazerem o mesmo que seus pacientes. “A inatividade física ou um estilo de vida sedentário está relacionado a maiores problema de saúde, para a população em geral do que a atividade física excessiva “, escrevem eles. “No entanto, exercícios frequentes de alta intensidade podem ser associados com um impacto negativo na saúde, e os pacientes com tal estilo de vida devem ser informados sempre..”.
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Referências
-1.Mons Y, Hahmann H, Brenner H. A reverse J-shaped association of leisure time physical activity with prognosis in patients with stable coronary heart disease: evidence from a large cohort with repeated measurements. Heart 2014; DOI:10.1136/heartjnl-2013-305242. Abstract
-2.Drca N, Wolk A, Jensen-Urstad M, Larsson SC. Atrial fibrillation is associated with different levels of physical activity levels at different ages in men. Heart 2014; DOI:10.1136/heartjnl-2013-305304. Abstract
-3.Guasch E, Mont L. Exercise and the heart: Unmasking Mr Hyde. Heart 2014; DOI:-10.1136/heartjnl-2014-305780. Editorial extract


quinta-feira, 5 de junho de 2014

Trigo e Glúten faz MAL - SIM!

“Muitas pessoas podem ter sintomas tão discretos que sequer os percebem ou referem para seus profissionais de saúde…
Outras podem nem associar seus sintomas/doenças à ingestão (sobretudo recorrente) de glúten e trigo.
Mas o que digo para vocês é que sobram artigos, livros, opiniões de profissionais confiáveis e experiência clínica que comprovam que, nos dias atuais, TRIGO e GLÚTEN fazem MAL, sim, para todos nós, podendo ser a causa ou o agravante/mantenedor de qualquer sintoma ou doença”.
Leia o texto completo do meu mais recente artigo aqui:
* Opine e compartilhe! Obrigado por isso

terça-feira, 3 de junho de 2014

Conheça mais 6 aplicativos para a saúde bucal


A tecnologia está em tudo, até na hora de cuidar da saúde bucal. São seis aplicativos desenvolvidos para celular ou tablet que auxiliam na hora de escovar os para dentes, ir ao dentista ou orientar as crianças. Confira a seguir:


Tooth Brush Timer
O aplicativo faz uma contagem regressiva de dois minutos simulando quanto tempo o usuário deve gastar para limpar cada dente. Além disso, fica disponível uma agenda que indica os dias em que o dente foi escovado e quantas vezes, com um espaço para comentários. Pode ajudar na hora de relatar algum problema para o dentista.
http://www.windowsphone.com/pt-br/store/app/tooth-brush-timer/4976b3e8-06a6-4b0a-adad-bae9f391cb15

Brush DJ
O objetivo aqui é tornar o momento de escovar os dentes mais divertido. O Brush DJ acessa sua biblioteca de música e escolhe aleatoriamente uma delas para tocar durante  a escovação. O aplicativo ainda tem lembretes para a hora da higiene bucal, passar fio dental, visitar o dentista e trocar a escova.
https://itunes.apple.com/br/app/brush-dj/id475739913?mt=8

Desencoste seus dentes
Este é um app especial para pessoas com bruxismo. Tem dicas sobre o problema e no final o usuário pode configurar como quer ser alertado para se lembrar de não apertar os dentes. Pode escolher alertas aleatórios ou sua própria frase, além de definir a frequência dos lembretes. A ferramenta também dá a opção de um aviso para a hora de colocar o protetor bucal para dormir,https://play.google.com/store/apps/details?id=com.desencoste&hl=pt_BR

Smartkids
O site Smartkids (http://www.smartkids.com.br/jogos-educativos/higiene-bucal.html) tem jogos educativos exclusivos para saúde bucal e várias  brincadeiras ligadas a assuntos como cárie, maneira adequada de escovar os dentes, entre outros.

Guerra dos Mutans
Voltado para crianças, a história tem como personagens a família Rizo e os Mutans (“monstros” que aterrorizam a boca dessa família que não escova os dentes).
http://www.guerradosmutans.com/

Dream Watcher
Um aplicativo para quem já ouviu falar que ronca, mas não acredita. Ele grava o sono durante a noite para que o usuário saiba se sofre do mal e possa, inclusive, exibir as amostras de gravação para o dentista. A ferramenta também disponibiliza um despertador duplo que  emite um som baixo e que aumenta gradualmente. Caso este falhe, o segundo alerta será mais alto. O app também ajuda na hora de dormir, com músicas relaxantes https://play.google.com/store/apps/details?id=com.arcadexxi.dreamwatcher&hl=pt_BR



Fonte: http://www.jornaldosite.com.br/materias/saude/anteriores/edicao198/saudeabril2014-06.htm

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Febre nas academias, aeróbio em jejum pode fazer mal à saúde




A prática do exercício aeróbio de estômago vazio, conhecido como AEJ (sigla para aeróbio em jejum), tem sido cada vez mais frequente nas academias do País entre os que lutam por um corpo perfeito. “Estudos apontam riscos cardiovasculares, além de serem comuns as quedas e lesões provocadas por tonturas e desmaios”, adverte Paulo Gentil, doutor em ciências da saude e autor de livros sobre emagrecimento. A convite do blog, ele e outro especialista no tema, o professor universitário Eduardo Porto, concederam a seguinte entrevista:

1-    O que levou o  treino em jejum, o chamado AEJ (aeróbio em jejum),  a virar moda nas academias do País?
Paulo Gentil – Porque um grupo de pessoas que não tem muito conhecimento técnico resolveu copiar uma prática adotada por participantes de concursos de beleza e seus seguidores. Essas pessoas colocaram fotos e vídeos de corpos esculpidos à base de outros procedimentos, como cirurgias e drogas, e muita gente caiu na falácia do “cum hoc ergo propter hoc”, associando os resultados ao aeróbio e jejum. Como infelizmente as pessoas não se preocupam em buscar informações de qualidade, estamos vendo essa prática ressurgir após algumas anos esquecida (o último “grande” surto dessa prática, que eu me lembre, havia sido devido ao livro Body For Life na década de 1990).
Eduardo Porto - Atribuímos a isto um conjunto de fatores, que vão desde a crença de que o exercício para emagrecer precisa oxidar gorduras durante sua execução, até as falsas promessas de “queimar” cinco vezes mais gorduras por conta do jejum. Some a isto a influência de gente famosa postando fotos nas redes sociais, atribuindo ao AEJ seus corpos quase que anoréxicos, e o fato do AEJ fazer parte do programa de preparação de alguns fisiculturistas. Entretanto, o que mais nos preocupa é saber que até mesmo profissionais da saúde, como Professores de Educação Física, Nutricionistas e Médicos, são adeptos desse método e acabam por indicar e prescrever para seus alunos, clientes e e pacientes.

2-    Passar um longo período dormindo, de 6 a 8 horas, acordar e, ao invés de tomar um bom café da manhã, ir malhar em jejum não pode trazer prejuízos à saúde?
Paulo Gentil – Apesar de existirem estudos associando a falta de glicose com danos neurais, essa é uma situação extrema, que dificilmente será alcançada pelo praticante comum após jejuar por 6 a 8 horas. Mas existem estudos em animais que apontam riscos cardiovasculares, além de serem comuns as quedas e lesões provocadas por tonturas e desmaios.
 Eduardo Porto – Sim. Em estudo recente com animais, pesquisadores europeus concluíram que mesmo o simples período de jejum noturno pode provocar e agravar eventos cardiovasculares, e pacientes com fatores de risco cardiovascular devem evitar longos períodos de jejum. Se levarmos em consideração que um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares é o acúmulo de gordura, podemos concluir que a maioria das pessoas que se exercitam em jejum na tentativa de combater o sobrepeso e a obesidade, pode estar pondo em risco sua saúde.

3-    Alguns defensores do Aeróbio em Jejum (AEJ) dizem que o método ajuda a queimar mais gordura, assim como o HITT? Qual a sua opinião? De fato o AEJ queima mais gordura?
Paulo Gentil – Quem fala isso está totalmente enganado. Os estudos mostram que nas horas seguintes aos treinos intensos há aumento do metabolismo de repouso e elevação do gasto de gordura. Já no caso do aeróbio em jejum, os estudos demonstram o contrário. Um exemplo é um estudo de pesquisadores italianos no qual a realização do exercício antes do café da manhã levou à redução do metabolismo e preservação da gordura por um período de pelo menos 24 horas em comparação à situação alimentada.
Eduardo Porto – Essa afirmação está ultrapassada. O treinamento intenso, apesar de não priorizar a oxidação de gorduras durante sua execução, eleva o metabolismo e a taxa de oxidação de gorduras no repouso. Enquanto isso, pesquisadores norte-americanos não observaram diferença na quantidade de gordura intramuscular após 90 minutos de aeróbio de baixa intensidade. Para eles, nesse tipo de atividade a intensidade é tão baixa que a gordura é simultaneamente oxidada e, assim, a sua concentração permanece praticamente constante. Um outro estudo verificou que o exercício aeróbio em jejum reduziu o metabolismo e inibiu a oxidação de gorduras, levando os pesquisadores a recomendarem a realização de uma refeição adequada antes do exercício físico.

4-    O AEJ não pode, na verdade, consumir massa muscular, já que o corpo em jejum está sem carboidrato como fonte de energia? Assim, existe perda de gordura, mas também de massa muscular?
Paulo Gentil – Na verdade, o primeiro engano a se corrigir é que existe perda de gordura! Os estudos sobre realização de atividade em jejum mostram que, na perspectiva mais otimista, o que se queimaria de gordura seria irrelevante. Para se der idéia, uma pessoa que passe 12 horas em jejum, se exercite por mais de uma hora e ainda permaneça em jejum por mais uma hora após a atividade não chegaria a gastar 5 gramas de gordura a mais do que se tivesse se alimentado. É muito sacrifício pra pouca coisa. E o pior é que isso seria reposto, talvez até com sobras, no período seguinte, conforme sugerem os estudos que analisaram o metabolismo após a atividade. Sobre a massa muscular, se o jejum fosse extremo e a atividade intensa, talvez houvesse perda, mas como as pessoas fazem esses exercício em baixa intensidade, acaba que o risco é reduzido.
Eduardo Porto – Nem um, nem outro. A intensidade do AEJ é tão baixa que a quantidade de gordura oxidada e os riscos de perda de massa muscular se tornam irrelevantes. Mesmo assim, na maioria das vezes ,o AEJ não é realizado em jejum. Algumas pessoas recomendam a ingestão de aminoácidos de cadeia ramificada (BCAA) e/ou Glutamina cerca de 30 minutos antes de iniciar o AEJ, com o objetivo de evitar a utilização dos aminoácidos que compõem a massa muscular. No entanto, a suplementação de aminoácidos numa situação de jejum e esforço, como as vivenciadas durante o AEJ, só surtirá o efeito desejado (poupar massa muscular) se os aminoácidos, que custam bem mais caro que os carboidratos, forem convertidos em glicose. Ou seja, a pessoa paga caro por um produto (aminoácido) para ser “transformado” em outro muito mais barato (carboidrato), sendo que um café da manhã adequado já preveniria a tão temida perda da massa muscular.

5-    Qual o melhor método para perder peso de maneira saudável e reduzir o percentual de gordura?
Paulo Gentil – O  melhor método, cientificamente comprovado, é combinar uma alimentação adequada com exercícios de alta intensidade.
Eduardo Porto - Estratégias para emagrecimento devem envolver intervenção nutricional adequada e treinamento de força com exercícios resistidos (musculação) associados a protocolos de treinamento intervalado de alta intensidade (HIIT), que estimulam a elevação da Taxa Metabólica de Repouso e mantém a oxidação de gorduras elevada, mesmo horas após sua execução.

6-    É possível uma mulher ser magra como a Gisele Bündchen e ter percentual de gordura elevado?
Paulo Gentil – Não só é possível, como bastante comum. As pessoas confundem ter peso baixo com terem pouca gordura. O excesso de atividades de baixa intensidade e longa duração pode levar o corpo a buscar a preservação da gordura com a perda concomitante da massa muscular. Se isso for somado à uma alimentação inadequada, o quadro pode até ser de uma perda acentuada de peso, mas essa perda virá muito da massa muscular. A consequência será uma pessoa de peso baixo e percentual de gordura alto.
Eduardo Porto – Sim, é possível. Geralmente, as pessoas confundem magreza com leveza, por não compreenderem que perder peso não é o mesmo que emagrecer. Perder peso é quando utilizamos como referência apenas o peso corporal, sem distinguir a massa magra da gorda. Nesse caso, uma pessoa pode ter a constituição física parecida com a Gisele Bündchen (baixo peso corporal) e possuir um percentual de gordura elevado. Da mesma forma que existem pessoas extremamente pesadas, mas com baixo percentual de gordura.