quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Recadinho rápido sobre a sua Saúde



As pessoas comumente buscam remédios específicos para sintomas específicos e é nisto que acabam "terminando suas vidas" tomando muitos remédios mas com pouco alívio ou bem-estar.

Entendam que mesmo sintomas "especificos" são, na maioria das vezes, causados por problemas mais "gerais", como hábitos de vida ruins, intoxicações, inflamação, carências de nutrientes… Por que, então, centenas de sintomas específicos diferentes? Simples: é que cada organismo é diferente e por isso vai adoecer de forma diferente, mesmo que as causas sejam "as mesmas".

Ou seja, se você quer ter/manter/recuperar saúde de verdade, sugiro fortemente que antes de buscar remedinhos específicos busque a real melhoria geral nos aspectos citados, ok?

Pense nisso.

Boa semana!
www.icaro.med.br


quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Manganês e alumínio são associados a doenças neurodegenerativas...

 
A exposição crônica ao manganês e ao alumínio pode contribuir para o desenvolvimento de doenças neurodegenerativas como Parkinson e Alzheimer, indicam diversas pesquisas realizadas em diferentes países, incluindo o Brasil.
Agora, um estudo realizado no Laboratório de Bio-Inorgânica e Toxicologia Ambiental (Labita) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), apontou que a forma química desses metais pode influenciar de forma direta e de modos diferentes o nível de toxicidade neurológica (neurotoxicidade) que exercem em animais e humanos.
"Identificamos que a especiação [forma] química do manganês e do alumínio pode influenciar diretamente os efeitos neurotóxicos provocados por esses metais em animais e humanos", disse Raúl Bonne Hernández, coordenador do projeto.
Estudos já indicavam que a exposição crônica ao manganês e ao alumínio promovem alterações no metabolismo energético animal e humano e contribuem para a diminuição das capacidades cognitiva e motora.
Por meio de estudos com o peixe-zebra (Danio rerio) - espécie de peixe cujo genoma é quase 70% semelhante ao humano -, os pesquisadores confirmaram essas hipóteses e observaram, além disso, que o manganês e o alumínio promovem diferentes efeitos neurotóxicos no animal de acordo com a ligação ou não com outros elementos químicos.
Toxicidade do alumínio
Com relação ao alumínio, os cientistas constataram que o metal ligado a moléculas de água ou hidroxila, e também na forma polimérica, parece ser mais tóxico do que o metal solúvel e ligado aos sais citrato e tartarato, por exemplo, usados como conservantes de alimentos.
"Esses resultados, de forma conjunta, apontam para uma confirmação parcial das nossas hipóteses de que a forma química do alumínio e do manganês influencia o nível de neurotoxicidade em animais e humanos", disse Hernández.
Segundo ele, por muito tempo se pensou que o alumínio era um elemento inócuo. Por isso, ao longo dos anos uma série de alimentos e bebidas foi envasada em embalagens enlatadas feitas com o metal.
O que se descobriu mais recentemente, no entanto, é que ingredientes usados para conservar os alimentos e bebidas nesse tipo de embalagem - como citratos e tartaratos - são capazes de solubilizar pequenas frações de alumínio.
"Essas pequenas frações do metal solubilizadas por citratos e tartaratos podem influenciar eventos relacionados à exposição ao alumínio pela via alimentar, embora sejam considerados eventos não agudos", afirmou Hernández.
Toxicidade do manganês
Já ao expor peixes-zebra em diferentes estágios de desenvolvimento a diversas misturas de manganês com outros elementos químicos, os pesquisadores constataram que o manganês causou mais efeitos tóxicos e induziu mais alterações neurocognitivas e locomotoras no animal na presença de citrato do que em sua forma pura.
Estas alterações podem estar associadas à disfunção em vias de síntese de proteínas como a do grupo beta-amiloide - que se acumulam e formam placas nas regiões do cérebro responsáveis pela memória e a linguagem em pacientes com Alzheimer - e de outros metabólitos alterados em pacientes com a doença de Parkinson.
Como o manganês é um elemento essencial para os seres humanos, especialmente durante o desenvolvimento, achava-se que os limites de exposição a esse metal poderiam ser um pouco mais altos que os estabelecidos hoje. Com isso, a exposição aguda e crônica pelo ar ao metal na forma de material particulado recebeu maior atenção do que pela ingestão de alimentos ou de água.
Trabalhadores dos setores de siderurgia e de mineração eram considerados alguns dos poucos grupos humanos vulneráveis à exposição ao manganês, ao trabalhar em áreas mais propensas ao contato direto com ar contaminado com partículas do metal.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem, no entanto, chamado a atenção nos últimos anos para o fato de que há vários lugares no planeta - incluindo países desenvolvidos e em desenvolvimento - onde se observa diminuição na capacidade cognitiva de crianças expostas a grandes concentrações de manganês na água e no ar, principalmente em áreas de mineração, ressaltou o pesquisador.
"Hoje são observados casos de exposição ao manganês em regiões de desenvolvimento econômico muito baixo, como Bangladesh, e em regiões mais desenvolvidas, na China e no Canadá, onde há relatos de grupos populacionais que consomem água com níveis de manganês em concentrações permitidas pela legislação ambiental do país, mas que apresentaram problemas de diminuição das capacidades cognitiva e motora", contou.
No Brasil, segundo Hernández, estudos epidemiológicos realizados entre 2000 e 2011 também apontaram casos de crianças e mulheres grávidas no município de Simões Filho, na Bahia, onde há atividade de mineração, que apresentam alterações neurocomportamentais pela exposição crônica ao manganês na forma de material particulado no ar em concentrações também consideradas seguras por órgãos como a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos e da União Europeia.
Um dos fatores que contribuíram para esse problema, segundo o pesquisador, é que os valores de exposição ao metal considerados seguros foram estimados, majoritariamente, com base em dados epidemiológicos de adultos expostos ocupacionalmente - como os trabalhadores dos setores siderúrgico e de mineração - e foram extrapolados para crianças.
"Isso sinaliza a necessidade de mais estudos em modelos animais durante seu desenvolvimento e a integração dos resultados dessas pesquisas com avaliações epidemiológicas", disse Hernández.
Fonte: Diário da Saúde

terça-feira, 10 de setembro de 2013

“Sapinho” é comum em crianças...

 
O "sapinho" é uma manifestação bucal muito comum em crianças. Trata-se uma infecção causada por um fungo chamado candida albicans, o mesmo da candidíase. Ela pode aparecer na boca (língua, gengiva, parte interna das bochechas e até nos lábios)  ou na região perineal (área que é coberta pela fralda). Essas  regiões são quentes, escuras e úmidas, ou seja, ambiente propício para a proliferação de microorganismos. Os fungos também aparecem em bicos de mamadeiras ou chupetas não higienizadas corretamente.
Muitas vezes  a candidíase oral é diagnosticada pelo odontopediatra, quando a mãe relata existir  uma membrana branca recobrindo a língua ou a bochecha de seu filho. O aspecto do sapinho é o de um restinho de leite que não sai. Como não  apresenta, na maioria das vezes,  sensações desconfortáveis na criança, a mãe escova, remove, fica avermelhado e depois volta a aparecer.  Quando ocorre na região das fraldas, a pele fica avermelhada e com pequenas pápulas (“bolinhas”) de coloração vermelha.
Nosso organismo hospeda uma série de fungos e bactérias e, em condições normais, vivemos  em perfeita harmonia com esses microorganismos.  Por estresse, baixa resistência ou um prejuízo imunológico eles podem se multiplicar e gerar problemas.
O  “sapinho” é  bastante comum nos primeiros meses de vida, pois o sistema imunológico da criança ainda não é maduro o suficiente. Além disso, é uma fase em que a criança põe tudo na boca, pois é através dela que conhece o mundo. Portanto nesta fase a criança tem  um comportamento de risco quando o assunto é “sapinho”. Em outras situações pode ser desencadeado por alguns fatores como infecções, uso de antibióticos ou corticóides.
Na maioria das vezes, o contágio ocorre  pelas mãos contaminadas das pessoas que manuseiam as crianças, ou ainda por objetos infectados com o fungo, como chupetas e mamadeiras.  
É importante estar sempre atento à higienização de tudo o que vai à boca do bebê, manter o ambiente da criança limpo e além disso, arejar áreas cobertas pela fralda e trocar o mais rápido possível as fraldas úmidas. Assim, evita-se à formação de ambientes favoráveis ao fungo.
As lactantes devem prestar atenção a qualquer tipo de ardor na região do bico do seio. Isso porque o bebê pode transmitir a doença para a mãe. Não são raros os casos em que a criança é tratada, mas volta a ter a candidíase pois o seio materno continua infectado.
O tratamento é feito com medicamentos antifúngicos, como a nistatina ou o miconazol, em formulação adequada para o local da lesão (boca ou região de fraldas).
É importante destacar que uma boa higiene bucal facilita muito no tratamento, evitando que outras doenças se instalem neste período. Além do que, o pediatra deve ser procurado para acompanhar a imunidade da criança, pois o "sapinho" é sinal de que ela está com a resistência baixa, aumentando risco de doenças mais graves se manifestarem.
 

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segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Falta de exercício físico reduz expectativa de vida em até 10 anos...

 
 
Quem pratica exercícios físicos regularmente reduz em até 50% a chance de desenvolver doenças crônicas, como câncer, diabetes e problemas cardiovasculares.
 
A falta de atividade física pode reduzir em até 10 anos a expectativa de vida. Já quem se exercita reduz em até 50% a chance de desenvolver doenças crônicas, como câncer, diabetes e problemas cardiovasculares. Por isso, a atividade física foi considerada pelos especialistas do Simpósio sobre Balanço Energético da Série Científica Latino Americana a forma mais eficiente para combater a epidemia da obesidade
O encontro, que reuniu mais de 130 especialistas e pesquisadores em nutrição e saúde pública em todo o continente, contou com a participação de John Dupley, da Universidade de Rosário, na Colômbia, que apresentou provas científicas dos benefícios da atividade física em todas as áreas da saúde. Segundo ele, fazer uma hora de exercício moderado por dia ativa cerca de 800 genes que contribuem para a manutenção da boa saúde, bem como para reduzir em até 50% o desenvolvimento de doenças fatais, como câncer, diabetes e derrame.
“Cinco intervenções no estilo de vida podem reduzir o risco de desenvolver diabetes tipo dois em até 90%: não fumar, ter um consumo moderado de álcool, comer cinco porções de frutas e vegetais, fazer pelo menos 150 minutos de exercícios físicos por semana, equivalente a meia hora por dia, e ter um peso adequado”, explicou Dupley.
De acordo com os participantes do evento, o exercício e os cuidados com a alimentação são as melhores formas de combater os problemas associados ao ganho de peso. "O controle inadequado do balanço energético é provavelmente a principal causa de obesidade que afeta a América Latina", disse o Fernando Lavalle, presidente do Comitê Científico responsável pela organização do simpósio. Segundo o pesquisador da Universidade de Sonora, Mauro Valencia, o gasto energético total de um indivíduo está determinado pelo gasto do próprio metabolismo, o efeito termogênico dos alimentos e o gasto pela atividade física que é o mais variável.
“Um dos fatores determinantes no ganho de peso da população nos últimos anos é o aumento do consumo de ingestão de gordura, e não de carboidratos e açúcares, já que as gorduras têm um maior impacto no desequilíbrio de energia”, defendeu  Eric Ravussin, diretor do Centro Biomédico Pennington de Pesquisa em Nutrição sobre Obesidade da Universidade do Estado de Louisiana. Segundo o especialista, o metabolismo do corpo humano funciona de forma diferente para carboidratos e gorduras. Enquanto os primeiros vão para o fígado, e servem para proporcionar energia ao músculo esquelético, as gorduras praticamente servem para desenvolver o tecido adiposo levando ao aumento de peso e medidas.
FONTE: saúde.terra.com.br
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quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Por que você precisa de LAZER/DIVERSÃO regularmente ou vai ficar doente!



Infelizmente, tenho atendido cada vez mais pessoas com sintomas diversos por causa de excesso de stress; "máquinas de trabalhar/produzir", são gente que há tempos perdeu o hábito de "dar pausas" e divertir-se minimamente, regularmente… E por isso estão à beira do colapso ou já nele.

Não caia neste erro você também! Pense:


- Até uma máquina, quando começa a esquentar demais, deixamos "esfriar" um pouco, desligada ou "em marcha lenta", para que não estrague, não é? Então entenda que seu organismo também é uma máquina que precisa de pausas, regulares, ou VAI estragar!


- Todos precisamos de pelo menos 15 minutos de diversão diariamente: faça neste curto tempo, pelo menos, o que te permita ter prazer saudável!


- Aprender a meditar, relaxar, respirar profundamente, aclamar-se também são estratégias que ajudam, sobretudo se você aprender a ter prazer nestas "pausas", que podem ser de poucos minutos mas fazem toda a diferença!


- Já ouviu falar em "ócio criativo"? Pois é nos períodos de "descanso" que o cérebro consegue "conectar as idéias" e chegar a bons pensamentos e conseqüências deles.

Boa semana e… Descanse, divirta-se!

Ou não vai conseguir produzir direito em NADA, no final das contas.



terça-feira, 3 de setembro de 2013

Hormônios e Alterações Bucais...


 
Gengivas inflamadas apresentam vermelhidão e inchaço ao redor dos dentes. Elas podem sangrar durante a escovação e o uso do fio dental. O portador de gengivite (gengivas inflamadas) pode apresentar alterações no hálito.

Na mulher, o agravamento das doenças gengivais pode ser consequência de flutuações hormonais. Vários fatores podem contribuir para o incremento das flutuações hormonais:

Puberdade: processo de amadurecimento sexual que resulta no desenvolvimento da capacidade reprodutiva e no aumento dos níveis de hormônios sexuais, os quais podem elevar a quantidade de bactérias na boca e o potencial patogênico da placa bacteriana.

Ciclo menstrual: durante a ovulação, em decorrência do aumento dos níveis de progesterona e estrogênio foi observado, em algumas mulheres, aumento do exsudato gengival. Esses hormônios, além disso, alteram a cicatrização dos tecidos, estimulam o sangramento e o inchaço gengival.

Contraceptivos orais: induzem a uma condição hormonal que simula a gravidez, prevenindo a ovulação. A inflamação gengival   está relacionada com o tempo de uso da medicação, sugerindo um efeito cumulativo. Pacientes que fazem uso de contraceptivos devem ser alertadas acerca de todas as possíveis alterações que a medicação pode desenvolver.

Gravidez: gengivite durante a gravidez é extremamente comum. Há uma produção elevada tanto de progesterona como de estrogênio. Ao final do terceiro trimestre, esse hormônios alcaçam picos até 30 vezes maiores do que níveis observados durante o ciclo menstrual. Mulheres suscetíveis à doença periodontal devem receber o tratamento adequado antes e durante a gravidez. Do contrário, pode ocorrer o agravamento da doença periodontal e o comprometimento das estruturas de suporte do dente. Úlceras aftosas recorrentes, herpes labial, candidose, granuloma gravídeo são as lesões mais frequentes durante a gravidez, devido ao aumento dos níveis de progesterona.

Menopausa: a diminuição dos níveis hormonais provoca alterações significativas na boca, como ressecamento e ardência bucal, sensação alterada do paladar, atrofia gengival, alteração de hálito etc.

Osteoporose: na menopausa a ausência do hormônio feminino faz com que os ossos percam cálcio e fiquem porosos. Foi obervado que a perda osséa decorrente de doenças gengivais  pode progredir mais rapidamente em pacientes com osteoporose.

As alterações na boca não ocorrem apenas em virtude das flutuações hormonais. Essas alterações decorrem também como efeitos de fatores locais, como a placa bacteriana sobre os tecidos bucais.

Sendo o corpo humano um sistema onde todos os órgãos se interrelacionam, o sucesso na conquista da saúde bucal depende da atenção do profissional para diversos fatores, sejam sistêmicos, sejam de ordem psicológica, comportamental ou simplesmente local.

Atuar de forma preventiva, interagindo sempre com todas as especialidades odontológicas e médicas, é a filosofia de trabalho de um profissional de saúde comprometido com o bem estar de seu paciente. 


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segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Atividade física x dor de cabeça...

 
A lista de benefícios proporcionados pelos exercícios físicos parece não ter fim. Mas, acredite, os especialistas conseguiram descobrir mais um: eles amenizam as crises de dor de cabeça.
Não se espante caso um dia saia do consultório médico com a seguinte prescrição para as têmporas doloridas: sue a camisa, de preferência gastando a sola do tênis ou pedalando. É o que se conclui dos resultados obtidos pelo primeiro estudo epidemiológico sobre dor de cabeça realizado no Brasil. Assinado pelos neurologistas Luiz Paulo de Queiroz, da Universidade Federal de Santa Catarina, e Mario Peres, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o trabalho ouviu 3 848 pessoas escolhidas aleatoriamente, de ambos os sexos, com idade entre 18 e 79 anos, em todo o país.
O objetivo foi estimar a prevalência de enxaqueca e cefaleia — nome científico da dor de cabeça comum — entre os brasileiros. Além disso, procurou avaliar a relação entre esses tormentos e hábitos do dia a dia, como a prática regular de exercícios físicos. No final, os dados da pesquisa são um estímulo e tanto para todo mundo levantar da cadeira e se mexer — aliás, não só para quem vive com a sensação de que a testa está prestes a explodir. "Os sedentários apresentaram 43% mais enxaqueca e 100% mais cefaleia crônica, com crises diárias, do que os indivíduos que se exercitam", conta Queiroz. A explicação para esse elo entre menor incidência de dor de cabeça e malhação está nos nossos neurônios. "Os exercícios aumentam a produção de endorfinas, neurotransmissores que proporcionam bem-estar. Eles funcionam como uma morfina natural", compara o médico.
 
O especialista em medicina do esporte Moisés Cohen, também da Unifesp, acrescenta: "Alguns artigos sugerem que outras substâncias liberadas durante a atividade física, como a epinefrina e os esteroides, podem estar por trás do alívio". A melhora na circulação sanguínea, que provoca um aumento da oxigenação cerebral, é mais um fator que colabora para o fim das dores. "Sem contar a diminuição do estresse", complementa a neurologista Norma Fleming, coordenadora responsável pelo Ambulatório de Cefaleia da
Universidade do Estado do Rio de Janeiro
e presidente da Associação de Dor do mesmo estado.

Como as endorfinas estão diretamente ligadas a uma menor ocorrência de crises, os exercícios mais indicados para o combate da dor de cabeça são aqueles que mais estimulam a liberação dessas substâncias — os aeróbicos, como a caminhada, a natação e a corrida de baixo impacto. "Os exercícios de fortalecimento muscular também produzem algum efeito, porém em menor grau", nota o cardiologista José Kawazoe Lazzoli, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte.
"As atividades que envolvem relaxamento, como o alongamento e a ioga, e as lúdicas, como a dança de salão, também podem ajudar a diminuir os sintomas, graças ao bemestar que proporcionam", observa o neurologista e especialista em dor Eduardo Barreto, coordenador do Serviço de Neurocirurgia da Rede D’Or, que compreende hospitais e laboratório no Rio de Janeiro. Em relação à frequência, para que a melhora da dor seja flagrante, os especialistas recomendam suar a camisa três vezes por semana, entre 30 e 60 minutos. "Mas, no meu estudo, até mesmo aqueles que fizeram uma única sessão semanal de exercícios apresentaram uma diminuição nas crises", afirma Luiz Paulo de Queiroz.
Além de privilegiar os esportes aeróbicos, a maneira como se pratica a atividade física conta muito. Se for feita de maneira incorreta, o feitiço se volta contra o feiticeiro — em vez de mitigar a dor, a malhação acaba por torná-la mais forte e, pior, pode aumentar o número de episódios de crise. "Os exercícios muito intensos ou realizados sem o devido aquecimento não são bem-vindos, especialmente para quem vive com dores de cabeça", alerta José Kawazoe Lazzoli.
Outra: para que o esporte só produza alívio, é fundamental alimentar-se bem antes e depois dos treinos. Respirar em um ritmo normal ao exercitar o corpo é igualmente recomendação importante. A tendência é prender a respiração quando a gente se esforça em demasia porque a glote, estrutura que se localiza na laringe e que impede a entrada dos alimentos nas vias respiratórias, se fecha. Mas daí a pressão arterial se eleva, o fluxo sanguíneo em direção à cabeça cai e, ui, não demora para aquela sensação ruim pintar na testa e adjacências. Além disso, só saia correndo por aí após se submeter a uma avaliação médica. "O aval de um especialista, assim como o acompanhamento de um fisioterapeuta ou fisiatra quando o indivíduo tiver problemas posturais, é imprescindível", lembra Barreto.

Infelizmente, nem todo mundo encara a atividade física como aliada contra as dores que atormentam a cabeça. "Existem trabalhos que, ao contrário, afirmam que a enxaqueca, em alguns casos, pode ser desencadeada pelos exercícios", conta Moisés Cohen. "Nos pacientes em que a crise é provocada pelo esporte, o problema ocorre mesmo quando ele é praticado corretamente", lamenta Norma Fleming. Ainda bem que casos assim são mais raros. "Fazer um diário da dor ajuda a identificar se esse é um dos agentes que funcionam como gatilho para o desconforto — ou se é o oposto, quer dizer, uma maneira de alívio", dá a dica Barreto. E claro: ninguém deve fazer nenhum tipo de atividade física em plena crise de enxaqueca. "Nessa situação, sim, os exercícios podem exacerbar o problema", alerta Luiz Paulo de Queiroz. Para quem não se encaixa nesse perfil — o que vale para a maioria — , a suadeira pode ser o melhor remédio.
Numa crise, onde dói?
O desconforto não se origina na massa cinzenta. Aliás, o cérebro, em si, não tem nervos e, portanto, é incapaz de sentir sua própria dor. Os músculos e os vasos sanguíneos da cabeça, estes sim, são bem vulneráveis, abrigando fi bras nervosas que disparam mensagens dolorosas por qualquer bobagem. O couro cabeludo, os ossos da face e as meninges, membranas que envolvem o cérebro como uma capa protetora, também são capazes de levar uma pessoa a urrar de sofrimento.
Os benefícios do corre-corre
1.
Durante a atividade física, o organismo libera as endorfi nas, neurotransmissores que funcionam como um analgésico natural. "Elas agem bem nos centros reguladores da dor, que ficam no tronco cerebral, na base da massa cinzenta", descreve Luiz Paulo de Queiroz.

2. Ao movimentarmos o corpo, a circulação melhora e, de quebra, o aporte de oxigênio para a cabeça. Isso já traz um alívio. Para completar, o exercício contribui para evitar alterações no calibre dos vasos, fenômeno típico das enxaquecas.

3. Exercitar-se ajuda a emagrecer. E, entre os diversos benefícios da perda de peso, está a diminuição na quantidade e na intensidade dos episódios de crise. Isso porque o excedente de gordura corporal eleva o nível de substâncias infl amatórias, que também estão por trás da dor de cabeça.

4. Os exercícios diminuem o estresse e, por tabela, as famigeradas dores. Não à toa. Há uma queda nas taxas dos hormônios secretados em resposta às emoções negativas, que são um gatilho para o problema. Sem falar na diminuição da tensão muscular, outra que só atrapalha.
O jeito certo de se exercitar
Comece devagar, principalmente se você é um iniciante. Não se esqueça de alongar-se, antes e depois da malhação, e de fazer um aquecimento. Procure o tipo de exercício que mais lhe dá prazer para que ele não se transforme em mais uma fonte de estresse.
Nem pense em começar a se mexer antes de visitar um médico. Com esse zelo, males preexistentes, como eventuais problemas de coração, poderão ser detectados, impedindo ocorrências graves. E repita a avaliação periodicamente.
Três vezes por semana, por cerca de 30 minutos — essa é a recomendação básica para que o organismo desfrute dos benefícios da atividade. Conforme o tempo vai passando, é possível aumentar esse período.
Uma hora e meia antes do treino, coma uma fonte proteica, que ajuda a recuperar e preservar os músculos. Uma hora antes, ingira carboidratos como os dos pães, que contribuem para a queima de açúcares e gordura durante o exercício. Depois da aula, faça um lanche com os dois nutrientes. Ah, hidrate-se o tempo todo.
Erros dolorosos
Ir com muita sede ao pote logo no primeiro treino decididamente não é uma boa ideia. As chances de acordar quebrado no dia seguinte e só conseguir voltar à academia depois de pelo menos uma semana são grandes.
Malhar de estômago vazio, assim como passar muito tempo sem comer após a atividade, é uma roubada. Aliás, o jejum por mais de três horas favorece as dores de cabeça. Com glicose de menos no sangue, os vasos tendem a se contrair.
Por outro lado, exercitar-se apenas por alguns minutos e voltar a treinar só depois de muito tempo também não é legal. Para obter todas as benesses da atividade física, o certo é manter a frequência regular.
A pressa de começar a se exercitar é tão grande que perder tempo em uma consulta médica está fora de cogitação? Cuidado. Isso pode causar uma dor de cabeça ainda maior se você tiver algum problema mais grave enquanto se exercita.
*** O Texto acima é de responsabilidade do autor. Para dúvidas sobre o conteúdo do texto, deixe seu comentário ou entre em contato com o autor através dos contatos disponibilizados em sua assinatura.